Cabo Verde cria primeiro doutoramento em Turismo para trinta alunos

Docentes serão todos da Universidade do Algarve, à exceção de um único que é cabo-verdiano.

02 de setembro de 2019 às 18:56
Sala de aula Foto: Getty Images
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Cabo Verde vai ter a partir deste ano letivo o primeiro doutoramento em Turismo, que vai receber 30 alunos e será ministrado no país, mas por docentes da Universidade do Algarve, conforme um protocolo esta segunda-feira assinado.

O protocolo de colaboração foi rubricado entre o diretor geral do Turismo e Transportes cabo-verdiano, Francisco Martins, e a presidente do Conselho de Administração da COOPENSINO, entidade instituidora do Instituto Superior de Ciências Económicas e Empresariais (ISCEE), Maria Madalena Duarte Almeida, que vai desenvolver o programa.

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A presidente do Conselho de Administração da COOPENSINO avançou à agência Lusa que as aulas deverão começar ainda este ano letivo, sendo que o programa de doutoramento terá 15 alunos no Mindelo, onde fica a sede do ISCEE, e outros tantos no polo da cidade da Praia.

Em relação ao corpo docente, a responsável administrativa disse que serão todos da Universidade do Algarve, à exceção de um único que é cabo-verdiano.

O doutoramento é financiado pelo Ministério do Turismo e Transportes de Cabo Verde, através do Fundo do Turismo, no valor de seis milhões de escudos (54 mil euros), destinado ao financiamento em 50% do valor de propinas dos doutorandos.

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Maria Madalena Duarte Almeida disse ainda que a deslocação dos docentes da Universidade do Algarve a Cabo Verde será custeada na sua totalidade pelo ISCEE, através das propinas que os alunos vão pagar durante os três anos da formação.

"Das teses produzias no âmbito deste doutoramento, sairão certamente contribuições para que a política para o turismo seja recentrada numa nova dimensão e qualidade", perspetivou, salientando que o protocolo de cooperação com o Governo cabo-verdiano "surge em boa hora".

O doutoramento insere-se no âmbito do projeto Raízes - Redes Locais para o Turismo Sustentável e Inclusivo em Santo Antão, promovido pela Associação para a Defesa do Património de Mértola, Portugal, em parceria com três associações locais e com as autarquias do Paul e do Porto Novo e o ISCEE, e financiado pela União Europeia e pela cooperação portuguesa, através do instituto Camões.

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O diretor geral do Turismo cabo-verdiano, Francisco Martins, sublinhou a ligação do doutoramento ao projeto Raízes em Santo Antão e a "instituições de grande reconhecimento", como a Universidade do Algarve, uma referência na Europa em estudos no setor.

Para o responsável cabo-verdiano, a ideia é desenvolver um turismo de "forma planificada" e de acordo com as especificidades do país, respeitando o ambiente, o social, o económico e a biodiversidade.

"O objetivo último é recolher, em termos de rendimentos das famílias, o maior retorno possível para que o desenvolvimento seja feito de uma forma homogénea, atingindo de forma mais direta as classes mais vulneráveis e que estão nas localidades", afirmou Francisco Martins.

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O turismo é atualmente o principal motor do desenvolvimento económico de Cabo Verde, contribuindo com 21% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.

Cabo Verde recebe atualmente cerca de 700 mil turistas, mas a meta do Governo é atingir 1,14 milhões em 2021, ano do fim da atual legislatura.

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