Cães e gatos influenciaram os votos dos americanos. Saiba como
AP VoteCast inquiriu 120 mil eleitores e reuniu os principais grupos.
Durante a campanha eleitoral norte-americana Kamala Harris teve o apoio das donas de gatos, mas Donald Trump conquistou os donos de cães (e a maioria dos donos de gatos). E não, este não é um simples trocadilho, são dados reais.
A análise de voto dos norte-americanos desenvolvida pela Associated Press (AP VoteCast), num inquérito a 120 mil eleitores, mostrou que os donos de cães foram muito mais propensos a apoiar o republicano do que a vice-presidente democrata Kamala Harris. Os donos de gatos parecem ter ficado divididos entre os dois candidatos.
Depois de os polémicos comentários do vice-presidente, JD Vance, sobre mulheres solitárias e sem filhos serem donas de gatos, Taylor Swift mostrou o seu apoio a Kamala Harris, assumindo-se como “solteirona dos gatos”, numa clara resposta a Vance.
Assim, o tema dos animais de estimação parece ter surgido como um divisor de águas entre os eleitores.
Com filhos ou não, as mulheres que tinham apenas um gato eram mais susceptíveis de apoiar Harris do que as donas de cães ou as eleitoras que tinham um gato e um cão. “Cerca de 6 em cada 10 mulheres que tinham um gato, mas não um cão, apoiaram Harris”, indica a AP VoteCast. A democrata também foi a escolha da maioria das mulheres que não tinham nenhum animal de estimação.
Os eleitores homens donos de gatos, ficaram divididos entre os dois candidatos, mas Trump venceu, por pouco, a maioria dos votos deste grupo.
A AP sugere que é impossível saber até que ponto os comentários de JD Vance influenciaram o voto das donas de gatos, mas é sabido que a maioria das eleitoras que tinham apenas gatos tinham uma opinião “muito” ou “algo” desfavorável do companheiro de campanha de Donald Trump. A mesma opinião negativa também acontece em relação ao Partido Republicano em geral. Ambas as opiniões são muito mais frequentes entre este grupo do que entre as mulheres que têm apenas cães ou entre as que têm cães e gatos.
De acordo com a AP VoteCast, apenas cerca de 4 em cada 10 eleitoras que tinham apenas um gato eram republicanas.
Embora a campanha de Trump não tenha feito os mesmos apelos aos donos de cães que a campanha de Harris fez às donas de gatos, os eleitores que tinham cães, incluindo os que tinham cães e gatos, inclinam-se mais para o republicano, constituindo a maioria do seu eleitorado.
A lealdade partidária parece ter prevalecido nestas eleições, uma vez que cerca de 6 em cada 10 homens que apenas têm cães identificam-se como republicanos, tal como cerca de metade das mulheres que têm cães, ou seja, o animal de estimação não foi a justificação para o seu voto (ou pelo menos não a única).
Assim, conquistar os amantes de cães não será uma tarefa fácil para os democratas.
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