Capital do Equador a ferro e fogo
Ruas fechadas com pilhas de pneus em chamas. Transportes parados e escolas e serviços municipais fechados por ordem do presidente de Câmara. Soldados nas ruas e de guarda ao Palácio Presidencial. Retrato da capital do Equador, Quito, esta quarta-feira, depois de o Congresso não ter conseguido chegar a um acordo sobre a polémica substituição de todos os juízes do Supremo Tribunal daquele país.
O governo do presidente Lucio Gutierrez, apoiado por uma temporária maioria no Congresso, em Dezembro último, substituiu todos os juízes do Supremo Tribunal do Equador.
Esta clara interferência no poder judicial despoletou violentos protestos. Muitos políticos da Oposição acusam Gutierrez de ter decidido mudar o Supemo em benefício do antigo presidente e seu amigo Abdala Bucaram, suspeito de corrupção. Recorde-se que o partido de Bucaram apoiou Gutierrez durante uma tentiva de destituição em 2004.
É que Bucaram pôs fim a um exílio no Panamá e regressou ao Equador este mês. Agora, Gutierrez admite demitir os juízes eleitos em Dezembro, mas pede ao Congresso a criação de um mecanismo independente de eleição de novos juízes.
Dizem os políticos da Oposição que Gutierrez está disposto a mudar do Supremo por que o seu amigo Bucaram já está em Guayaquil, zona onde é fortemente apoiado pelos locais. Mas, agora o presidente já não controla maioria no Congresso, pelo que os deputados da Oposição assumiram maior protagonismo.
Ontem à noite, ao cabo de uma maratona negocial, a sessão no Congresso terminou sem acordo... e a violência regressou às ruas de Quito. Foi o próprio presidente da Câmara da capital - político afecto à oposição parlamentar - quem deu o mote, ao ordenar a paragem dos transportes públicos e o encerramento de escolas e de serviços camarários.
Gutierrez, antigo coronel do Exército, foi eleito no final de 2002 e tem resistido ao turbilhão político destes primeiros meses de 2005 graças ao apoio das Forças Armadas. A Oposição acusa-o de estar a comportar-se como um ditador. Os investidores estão a refazer planos (até porque o impasse em torno do Supremo está a atrasar a aprovação de nova legislação económica). EUA e ONU já manifestaram preocupação pela interferência do poder político no poder judicial. É que ainda está bem viva a memória do ciclo de violência política que levou à destituição de dois presidentes (legalmente eleitos) em 1997 e 2000.
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