Carro-bomba mata chefe militar libanês
Um atentado com carro-bomba vitimou ontem, em Beirute, o general François al-Hajj, apontado como próximo comandante das Forças Armadas na eventualidade de o general Michel Suleiman ser nomeado presidente da República. O ataque, no qual morreu ainda o guarda-costas do general, faz crescer as tensões no Líbano, onde as facções pró e anti-síria se defrontam para chegar a consenso quanto ao chefe de Estado que suceda a Emile Lahoud, cujo mandato terminou a 23 de Novembro.
Hajj foi a nona vítima numa série de assassinatos políticos que começou em 2005 com a morte do ex-primeiro-ministro Rafik al-Hariri, um anti-sírio.
Em declaração oficial, um porta-voz da Casa Branca afirmou que o presidente George W. Bush vai “continuar a apoiar o povo libanês na oposição àqueles que tentam pôr em causa a sua liberdade e segurança”.
As autoridades afirmam que 35 quilos de explosivos escondidos num BMW foram detonados por controlo remoto à passagem do carro do general, em Baabda, bairro onde está sediado o Palácio Presidencial e várias embaixadas. O homicídio pode ser um acto de retaliação, pois Hajj liderou o cerco do início do ano ao campo de refugiados palestinianos de Nahr al-Bared, no norte do Líbano. A operação vitimou 168 militares e 230 activistas do grupo radical Fatah al-Islam.
Refira-se que após oito adiamentos da votação, as facções opostas no Parlamento acordaram a semana passada nomear Suleiman para a presidência. A votação deverá ter lugar no dia 17.
DEZENAS DE MORTOS NO IRAQUE
Pelo menos 41 pessoas morreram e mais de cem ficaram ontem feridas quando três carros armadilhados explodiram quase simultaneamente no centro de Amara, no Sul do Iraque.
As explosões aconteceram com um intervalo de cinco minutos e começaram com uma pequena explosão à entrada de um mercado, afirmou Mohammed Saleh, porta-voz da assembleia provincial, segundo o qual 41 pessoas morreram e 150 ficaram feridas em resultado das três explosões, estando os hospitais locais sobrelotados. Contudo, a contagem de vítimas do atentado não estava ontem terminada. As duas outras explosões ocorreram quando uma multidão de curiosos se reuniu para observar as consequências da primeira detonação. Recorde-se que o Exército britânico se retirou de Amara em Agosto de 2006 e desde então a cidade tem sido palco de conflitos entre facções xiitas, enfrentando também pilhagens e destituição de edifícios.
2005 é o ano do assassinato de Rafik al-Hariri, líder de governo até ao ano anterior e um convicto opositor da influência síria no Líbano.
29 anos durou a presença militar síria no Líbano. As manifestações mas-sivas que se seguiram ao homicídio de Hariri e a pressão internacional forçaram a retirada total das tropas em Abril de 2005.
GUERRA COM ISRAEL
Em Julho de 2006 começou uma guerra entre Israel e o grupo radical libanês Hezbollah, desencadeada pelo rapto de dois militares israelitas junto à fronteira.
TROPAS PORTUGUESAS
A Unidade de Engenharia 2, do Exército português, tem 146 elementos ao serviço da ONU no Líbano, onde se ocupam de trabalhos de reconstrução de infra-estruturas.
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