Carta de prisioneiro revela pesadelo vivido nos campos de concentração nazi

Documento foi enterrado há 73 anos em Auschwitz.

11 de outubro de 2017 às 16:13
Auschwitz Foto: Direitos Reservados
Auschwitz Foto: Direitos Reservados
Auschwitz Foto: Museu de Auschwitz-Birkenau
Auschwitz Foto: Museu de Auschwitz-Birkenau
Auschwitz Foto: Direitos Reservados
Documento de Auschwitz Foto: Pavel Polian
Documento de Auschwitz Foto: Pavel Polian
Documento de Auschwitz Foto: Pavel Polian

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Marcel Nadjari, judeu de origem grega, enterrou uma carta perto do Crematório 3 do campo de concentração de Auschwitz, no interior de uma garrafa térmica, em 1944. Essa carta foi agora encontrada e revela o pesadelo vivido pelos prisioneiros. 

Nadjari e outros prisioneiros sofreram verdadeiros horrores no campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau, a poucos quilómetros de Cracóvia, na Polónia. Os judeus eram colocados a trabalhar na unidade de Sonderkommando (comando especial) e obrigados

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a preparar os assassinatos dos outros prisioneiros, roubar os pertences depois da gaseificação e transportar os corpos para os fornos.

"Todos aqui sofremos coisas que a mente humana não pode imaginar"

O  texto que Nadjari escreveu no final de 1944 foi encontrada por um estudante em 1980 e, agora restaurado, pode ser lido quase na íntegra. 

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"Debaixo de um jardim, há um porão com dois recintos infinitamente grandes: um deles é usado para tirar as roupas. O outro é uma câmara da morte", descreve Nadjari. "As pessoas entram nuas e, quando o espaço está cheio com cerca de três mil pessoas, ele é fechado e todos são asfixiados com gás", conta. 

Entre outras coisas, Nadjari revela que os prisioneiros do campo eram enfiados "como sardinhas" na câmara, enquanto os alemães usavam chicotes para os empurrar ainda mais para dentro, antes de trancar as portas e abrir as câmaras de gás.

"Após meia hora, abríamos as portas e começávamos o nosso trabalho". A função de Nadjari era levar os cadáveres aos fornos de incineração, onde "um ser humano acaba reduzido a cerca de 640 gramas de cinzas", avança o site G1.

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Segundo Pavel Polian, historiador russo, a mensagem de Nadjari é um dos nove documentos mais importantes para contar a história de Auschwitz. Já várias cartas foram encontradas, mas o grego é o único que fala de forma aberta sobre a vingança e sobre o que foi obrigado a fazer na unidade de Sonderkommando.

"Não estou triste se morrer, mas porque não serei capaz de me vingar como queria"

A descoberta e a reconstrução do texto

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A descoberta da carta que revela o terror nazi, foi encontrada por um jovem que estava a fazer escavações, numa floresta junto ao crematório de Auschwitz-Birkenau. Tal como as mensagens de outros prisioneiros, esta estava escrita em Yiddish - lingua da família indo-europeia adotada pelos judeus - e só 15 por cento era legível. "Estava enterrado há 35 anos em solo húmido e foi enviado para o museu do campo de concentração", disse Pavel Polin.

Os investigadores russos passaram anos a descodificar a mensagem e agora está disponível "entre 85 e 90 por cento", disse o historiador. 

Marcel Nadjari: a história do sobrevivente

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Depois da guerra regressou à Grécia. Em 1951 emigrou para os EUA e morreu em 1971, com 54 anos.

O grego nunca revelou que tinha deixado esta carta enterrada.

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