Cartas de reféns contam horrores

As cartas escritas por oito reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), trazidas pelas recém-libertadas Clara Rojas e Consuelo González, revelam o enorme sofrimento, as condições físicas degradantes em que vivem e o desespero que sentem por estar em cativeiro. Extractos de algumas das cartas ontem divulgadas revelam que vivem acorrentados, doentes e sem assistência.

18 de janeiro de 2008 às 00:00
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“Sou frequentemente acorrentado juntamente com outros dois reféns. Colocam-nos correntes ao pescoço. Já sobrevivi a dois ataques de malária e tenho dores crónicas no peito. Doenças tropicais que contraí deixaram-me tão debilitado que, durante cinco semanas, desloquei-me a rastejar na lama porque não conseguia manter-me em pé”, conta o ex-comandante da polícia Luis Mendieta, sequestrado em Novembro de 1998.

Acorrentado com Mendieta costuma estar Alan Jara, ex-governador sequestrado em Julho de 2001. “Tenho dores de cabeça crónicas devido a um parasita que terá infectado o meu cérebro”, escreve. Mais esperanças alimenta o ex-deputado Jorge Grechem, que tem graves problemas cardíacos e não consegue andar. “Talvez seja transferido para um hospital cubano”, afirma.

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Estes oito reféns fazem parte de um grupo de 44 – em que se inclui a ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt – que os guerrilheiros querem trocar por centenas de camaradas presos. A Igreja Católica da Colômbia diz manter contactos discretos com a guerrilha para tentar negociar uma visita da Cruz Vermelha aos reféns.

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