Casa Branca rejeita argumento anti-guerra de demissão de diretor de contraterrorismo

Karoline Leavitt argumentou que a carta de demissão de Joe Kent "contém muitas afirmações falsas".

18 de março de 2026 às 00:23
Casa Branca Foto: Patrick Semansky/AP
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A Casa Branca classificou esta noite como "falsas" e "absurdas" as razões invocadas pelo diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo para se demitir, em protesto contra a ofensiva norte-americana-israelita em curso contra o Irão.

Numa longa publicação nas redes sociais, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, argumentou que a carta de demissão de Joe Kent "contém muitas afirmações falsas", nomeadamente negar que o Irão represente uma ameaça iminente para os Estados Unidos --- argumento utilizado pelo Presidente Donald Trump e pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, para justificar a sua ofensiva surpresa contra Teerão.

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"Esta é a mesma afirmação falsa que os democratas e alguns órgãos de comunicação social liberais têm vindo a repetir inúmeras vezes", afirmou Leavitt.

O Centro Nacional Contra o Terrorismo, pertencente ao Gabinete de Serviços Secretos Nacionais dos Estados Unidos, é um organismo criado após os atentados de 11 de setembro de 2001, para coligir informação sobre terrorismo internacional.

Leavitt adiantou que Trump "tinha provas sólidas e irrefutáveis de que o Irão atacaria os Estados Unidos primeiro" e "jamais tomaria a decisão de mobilizar recursos militares contra um adversário estrangeiro sem considerar todos os fatores".

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O Irão "é o principal patrocinador estatal do terrorismo no mundo" e "matou orgulhosamente americanos e fez guerra contra" os Estados Unidos, que "ameaçou abertamente até ao lançamento da Operação Fúria Épica", a 28 de fevereiro.

"O Presidente Trump determinou que um ataque conjunto com Israel reduziria significativamente o risco de vida dos americanos representado por um primeiro ataque do regime terrorista iraniano e lidaria com esta ameaça iminente aos interesses de segurança nacional dos EUA", declarou Leavitt.

Como comandante-chefe das Forças Armadas, adiantou, Trump tem competência determinar "o que constitui uma ameaça, porque ele é o único constitucionalmente autorizado a fazê-lo, e porque o povo americano foi às urnas e confiou-lhe, e só a ele, a autoridade para tomar tais decisões finais".

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Leavitt classificou ainda como "insultuosa e ridícula" a acusação de Kent de que a guerra no Irão resultou da "pressão de Israel e do seu influente lobby nos Estados Unidos", sublinhando que "Trump tem sido notavelmente consistente e afirma há décadas que o Irão nunca possuirá uma arma nuclear".

Numa carta dirigida a Trump, Kent, um veterano do Exército norte-americano, afirmou esta terça-feira não poder, "em boa consciência, apoiar a guerra que se trava no Irão".

"O Irão não representava qualquer ameaça iminente à nossa nação, e é evidente que iniciámos esta guerra devido à pressão de Israel e do seu poderoso 'lobby' nos Estados Unidos (EUA)", escreveu.

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Kent recordou que Trump fez campanha com a plataforma "America First ("A América Primeiro")", alegando que "as guerras no Médio Oriente eram uma armadilha que custou aos Estados Unidos vidas preciosas" dos seus soldados e "a prosperidade" do país.

O diretor demissionário do Centro Nacional Contra o Terrorismo acusou também altos responsáveis israelitas de orquestrarem "uma campanha de desinformação" para justificar a ofensiva contra o Irão, "a mesma tática que os israelitas usaram" para arrastar os Estados Unidos para a "desastrosa guerra do Iraque".

"Rezo para que reflita sobre o que estamos a fazer no Irão e para quem estamos a fazê-lo. O momento de agir com coragem é agora. Pode mudar de rumo" dos acontecimentos, escreveu Kent na missiva a Trump.

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A guerra com o Irão, na qual morreram até agora pelo menos 13 militares norte-americanos e que fez subir os preços da gasolina, foi criticada por algumas vozes próximas de Trump, como o jornalista Tucker Carlson, para quem esta contradiz a promessa de campanha do republicano de se concentrar em questões internas e manter o país fora de guerras no estrangeiro.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.

Em retaliação, o Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.

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Incidentes com projéteis iranianos foram também registados em Chipre, na Turquia e no Azerbaijão.

Desde o início do conflito, foram contabilizados no Irão pelo menos 1.348 mortos, entre os quais o 'ayatollah' Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, entretanto substituído pelo seu segundo filho, Mojtaba Khamenei, e mais de 10.000 civis feridos.

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