Caso Amelia Earhart: sem rasto de avião desaparecido há 90 anos
Pioneira da aviação e primeira mulher a cruzar o Atlântico desapareceu na última etapa da volta ao mundo. Ninguém sabe onde está o avião.
Ainda não foi desta que o misterioso desaparecimento do Lockheed Modelo 10-E Electra, da pioneira da aviação Amelia Earhart, ficou resolvido. Há perto de 90 anos que ninguém sabe o que aconteceu ao avião. Desapareceu em julho de 1937, quando a norte-americana tentava dar a volta ao mundo, depois de ter realizado outros feitos, como ser a primeira mulher a cruzar o Atlântico e a bater recordes de altitude e velocidade.
Não tem sido por falta de tentativas. A última ocorreu este mês. A esperança era grande, mas, quando a expedição chegou ao local, no oceano Pacífico, constatou que as imagens recolhidas por satélite em 2020 não eram dos destroços de um avião.
“As provas recolhidas na Península de Taraia, em Nikumaroro, confirmaram que a anomalia visual observada pela primeira vez em imagens de satélite em 2020 era, provavelmente, um conjunto de árvores de grande porte depositadas ao longo da língua de areia da península [pertencente à República do Kiribati]. Quando a equipa chegou, uma boa parte dos destroços já se tinha fragmentado e sido levada pela corrente, deixando apenas um único segmento em forma de Y [‘Objeto de Taraia’]”, informou a Universidade de Purdue, nos EUA.
Amelia, acompanhada pelo navegador Fred Noonan, foi vista pela última vez a 2 de julho de 1937, ao descolar de Lae, na Papua-Nova Guiné. A etapa seguinte era a ilha Howland. A viagem de 18 horas nunca chegou ao fim.
O Lockheed Modelo 10-E Electra tinha partido dos EUA um mês antes. Passou pela América do Sul, cruzou o Atlântico em direção à África Ocidental, atravessou o Médio Oriente e o Sudeste Asiático, chegando à Papua-Nova Guiné após percorrer 35 405 quilómetros. O Governo norte-americano concluiu que o avião ficou sem combustível e que caiu perto da ilha Howland. Os líderes da última expedição acreditam que Amelia e Noonan pousaram na ilha de Nikumaroro (ou perto dela) e tornaram-se náufragos, morrendo de sede ou fome.
Natural do Kansas (EUA) e casada com George P. Putnam (editor, escritor e explorador), Amelia manifestou cedo o seu interesse pela aviação. Aos 24 anos, comprou o seu primeiro avião e, com ele, estabeleceu um recorde feminino de altitude ao atingir os 14 mil pés. Mais tarde, aos comandos de um Lockheed Vega 5B, voou do Canadá até à Irlanda do Norte. Além de aviadora, foi auxiliar de enfermagem na I Guerra Mundial, professora, escritora, jornalista e chegou a abraçar o mundo da moda, tendo desenhado uma linha de roupas desportivas e malas. Tinha 39 anos quando desapareceu algures no Pacífico. O último contacto foi feito quando lhe faltavam 11 265 quilómetros para realizar o seu maior sonho.
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