'Caso Mandelson' regressa para assombrar Starmer
Governo terá ignorado parecer que considerou que amigo de Epstein não reuniu condições para ser embaixador nos EUA.
O chamado ‘caso Mandelson’ voltou às primeiras páginas dos jornais britânicos após novas revelações que poderão custar o cargo do primeiro-ministro Keir Starmer. Isto depois de o Guardian ter revelado, na quinta-feira, que o Governo ignorou um parecer oficial que considerou que Peter Mandelson, amigo do bilionário Jeffrey Epstein, não reunia as necessárias condições para ser nomeado embaixador nos EUA.
O parecer foi emitido no início de 2025 pelo Gabinete de Verificação de Segurança do Governo, cuja função é determinar se os nomeados para funções políticas de relevo reúnem as condições necessárias para o cargo, incluindo se não têm ligações ou posições públicas comprometedoras. No caso de Mandelson, o Gabinete ‘chumbou’ a sua nomeação como embaixador nos EUA, mas altos responsáveis no Ministério dos Negócios Estrangeiros ignoraram o parecer e Mandelson acabou mesmo por ser nomeado. Foi demitido já este ano, após os ficheiros do caso Epstein terem revelado a sua proximidade com o falecido bilionário acusado de tráfico e abuso sexual de menores.
Starmer garante que não foi informado do parecer do Gabinete de Verificação de Segurança e demitiu na sexta-feira o secretário do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Olly Robbins, mas a medida não foi suficiente para afastar as suspeitas da oposição conservadora, que acusa o primeiro-ministro de mentir ao Parlamento quando garantiu que o processo de nomeação de Mandelson tinha “cumprido todas as regras”.
Os próximos dias poderão ser decisivos para Starmer: este domingo o PM vai defender-se no Parlamento e, no dia seguinte, será a vez de Olly Robinson - que segundo fontes próximas está “furioso” por ter sido usado como bode expiatório - ser ouvido pelos deputados, no que já foi batizado como “’o dia do juízo final” para Starmer.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt