Chapecó de luto despede-se dos seus heróis
Apesar da chuva, mais de 100 mil pessoas acompanharam velório.
Mesmo debaixo de chuva forte, uma multidão estimada em mais de 100 mil pessoas participou ontem no último adeus aos 50 atletas e dirigentes da Chapecoense que perderam a vida num trágico acidente de avião na Colômbia, que causou a morte a 71 pessoas.
O estádio da cidade, a Arena Condá, com apenas 19 mil lugares, lotou rapidamente, mas outras 80 mil pessoas juntaram-se no lado de fora, acompanhando as homenagens através de ecrãs gigantes, desde a chegada dos corpos, pela manhã, ao aeroporto municipal, onde receberam honras militares, até ao final do velório, a meio da tarde. O cortejo entre o aeroporto e a Arena, um percurso de menos de 10 km, demorou hora e meia, tantos eram os que se aglomeravam na beira da estrada para homenagear as vítimas.
Com os caixões enfileirados lado a lado no relvado, rodeados por familiares, o velório foi iniciado com o hino brasileiro e o da Chapecoense, e discursos de personalidades locais, incluindo o bispo de Chapecó, que leu uma mensagem do papa Francisco, e o presidente da Fifa, Giovanni Infantino, que fez uma curta alocução em português.
Os nomes de todas as vítimas cujos corpos estavam na Arena Condá foram evocados um a um e fortemente aplaudidos pela multidão, dentro e fora do estádio, ao mesmo tempo que eram largados balões e pombas brancas. Constantemente com os olhos marejados de lágrimas, os milhares de presentes à cerimónia alternaram momentos de respeitoso silêncio com gritos de "o campeão voltou", numa alusão ao sucesso da pequena equipa, que superando todas as dificuldades, conseguiu chegar à final da Taça da América do Sul, que ia disputar com o Atlético de Medellín, clube que, num gesto de generosidade, abdicou do título e pediu à Confederação Sul-Americana de Futebol que declare a Chapecoense campeã.
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