Chefe das Forças Armadas de Bissau ordena buscas para encontrar autores de tentativa de golpe de estado
Homens armados atacaram o Palácio do Governo no dia 1 de fevereiro.
O chefe das Forças Armadas da Guiné-Bissau (CEMGFA), general Biagué Na Ntan, deu hoje "diretivas de comando" a todos os militares do país para iniciarem ações de busca para encontrar os autores da tentativa de golpe de Estado.
O general Na Ntan esteve no quartel do comando do Exército em Bissau e perante comandantes de todas as unidades, batalhões e zonas militares, na presença de jornalistas, para comunicar a sua decisão.
"Vim cá hoje com o objetivo de vos dar uma diretiva de comando do Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas. Não vim cá para falar de política, vim cá dar ordens para execução obrigatória. Quem não cumprir, será substituído", avisou Na Ntan.
Com a voz visivelmente irritada, o CEMGFA considerou ser "uma vergonha" que os militares "não tenham feito nada, não tenham perseguido" os autores dos ataques ao Palácio do Governo.
"Quero saber porque é que pessoas que juraram a bandeira da Guiné-Bissau, pessoas que recrutamos, pessoas a quem demos a farda militar, pegaram em armas para atirar contra o Presidente da República, o primeiro-ministro e membros do Governo, mas ninguém fez nada", questionou o general.
Biagué Na Ntan, que regressou ao país esta segunda-feira, depois de cerca de três semanas em tratamento médico em Espanha, disse ser inaceitável que "nenhum quartel" de Bissau tenha saído em defesa do Presidente da República, do primeiro-ministro e dos membros do Governo "durante cinco horas".
"Ainda pior, já passaram 17 dias e essa gente não foi detida", observou o general.
Biagué Na Ntan afirmou ainda que jurou defender a Guiné-Bissau, respeitar a Constituição, não privilegiar nenhum grupo étnico nas Forças Armadas e que prefere ir sentar-se na sua casa do que "passar vergonha".
Dirigindo-se aos comandantes das Zonas Militares da Guiné-Bissau, Na Ntan disse que a sua ordem era clara: "Busca e apreensão" a partir desta sexta-feira para que os atacantes do Palácio do Governo sejam levados à justiça.
No dia 1 de fevereiro, homens armados atacaram o Palácio do Governo da Guiné-Bissau, onde decorria um Conselho de Ministros, com a presença do Presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, e do primeiro-ministro, Nuno Nabiam, e de que resultaram oito mortos.
O Presidente guineense considerou tratar-se de uma tentativa de golpe de Estado e apontou o ex-chefe da Marinha José Américo Bubo Na Tchuto, Tchamy Yala, também ex-oficial, e Papis Djemé como os principais responsáveis.
Os três homens foram presos em abril de 2013 por agentes da agência antidrogas norte-americana a bordo de um barco em águas internacionais na costa da África Ocidental e cumpriram pena de prisão nos Estados Unidos.
Os três alegados responsáveis pela tentativa de golpe de Estado foram detidos, segundo o Presidente guineense.
A Guiné-Bissau é um dos países mais pobres do mundo, com cerca de dois terços dos 1,8 milhões de habitantes a viverem com menos de um dólar por dia, segundo a ONU.
Desde a declaração unilateral da sua independência de Portugal, em 1973, sofreu quatro golpes de Estado e várias outras tentativas que afetaram o desenvolvimento do país.
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