Chipre e Israel anunciam "avanços" na resolução de disputa sobre depósito de gás
Ministras da Energia mantiveram conversações no Chipre e manifestaram a sua vontade de alcançar "uma resolução rápida e justa".
Chipre e Israel anunciaram esta segunda-feira "avanços significativos" na resolução de uma disputa sobre um deposito de gás 'offshore', adiantando o propósito de alcançar rapidamente um acordo.
As ministras da Energia, a cipriota Natasa Pilides e a israelita Karine Elharrar, mantiveram conversações na capital de Chipre e manifestaram à comunicação social a sua vontade de alcançarem "uma resolução rápida e justa".
Israel sustenta que parte do depósito cipriota designado Afrodite, que se estima contenha 4,4 mil milhões de metros cúbicos, está situada no seu campo Ishai e pretende uma linha de demarcação entre as zonas económicas exclusivas de Chipre e Israel.
As negociações decorrem há anos.
Mas agora, a União Europeia precisa de se libertar das fontes de energia russas, o que, depois da invasão da Ucrânia pela tropa do Kremlin, deu um novo sentido de urgência a estas negociações.
"À luz da crise energética global e da crescente necessidade de gás na Europa, acredito que é do nosso melhor interesse que as partes devem acelerar uma resolução rápida, transparente e justa", disse Elharrar, em uma declaração conjunta.
Por seu lado, Pilides salientou que as partes fizeram "progressos significativos" na conceção de um caminho conducente a um acordo, acrescentando que as negociações vão continuar nas próximas semanas.
A Chevron e os seus parceiros, a Shell e a israelita NewMed Energy, possuem os direitos de exploração do Afrodita e já adiantaram que um plano para o desenvolvimento do depósito vai estar pronto no final do ano.
Outras perfurações vão ser feitas nos próximos meses para reunir informação adicional sobre a dimensão do depósito.
As perspetivas sobre o Afrodite, bem como sobre outros campos descobertos no offshore cipriota, foram reforçadas depois de a União Europeia confirmar que o gás pode ser um combustível de transição para uma energia limpa, a alcançar até 2050.
Grupos de defesa do ambiente têm recorrido aos tribunais acusando a União Europeia de desrespeitar os seus compromissos de redução dos gases com efeito de estufa.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt