Combates violentos no Iémen em ofensiva contra rebeldes
Forças do Governo iemenita estavam a contar com o apoio da aviação saudita, a que os rebeldes responderam com ataques contra Riade.
As forças governamentais do Iémen apoiadas pela Arábia Saudita tinham esta sexta-feira em curso uma "vasta operação" para tentar recuperar dos rebeldes huthis o estratégico estreito de Bab el-Mandeb, no mar Vermelho, anunciaram fontes militares.
Uma fonte do lado das forças governamentais citada pela agência francesa AFP disse que os combates eram violentos e "os avanços limitados".
As forças do Governo iemenita estavam a contar com o apoio da aviação saudita, a que os rebeldes responderam com ataques contra Riade.
A partir de Riade, o embaixador saudita no Iémen, Mohammed al-Jaber, anunciou nas redes sociais, sem apresentar provas, que a coligação tinha libertado o estreito "dos últimos elementos da milícia terrorista".
A agência de notícias afeta aos huthis, a Saba, anunciou que os rebeldes tinham repelido um ataque das forças governamentais ao sul do estreito.
Os huthis assumiram em meados de setembro o controlo da costa iemenita do mar Vermelho e das ilhas do estreito de Bab el-Mandeb.
O domínio dos rebeldes aconteceu após uma ofensiva relâmpago que consolidou a sua influência na passagem estratégica que liga a Europa à Ásia através do canal do Suez.
As forças governamentais têm levado a cabo nos últimos dias uma contraofensiva para tentar recuperar os territórios costeiros conquistados pelos huthis.
Ao mesmo tempo, os huthis intensificaram os ataques contra a Arábia Saudita, que nos últimos três dias causaram seis mortos e levaram ao cancelamento de voos de companhias aéreas dos Emirados Árabes Unidos.
Os huthis reivindicaram mesmo o controlo do espaço aéreo saudita numa mensagem divulgada nas redes sociais pelo respetivo porta-voz militar do grupo, Yahya Sarea.
"Permitiremos os voos humanitários de e para o aeroporto de Riade para todos os voos autorizados pelo Centro de Coordenação de Operações Humanitárias [dos huthis] na capital iemenita, Sana", afirmou Sarea, citado pela agência espanhola EFE.
Sarea disse que os huthis vão intensificar os ataques com drones e mísseis contra os aeródromos do país vizinho, em retaliação pelos bombardeamentos sauditas contra posições dos rebeldes iemenitas.
A mensagem de Sarea surge poucas horas depois de a Autoridade Geral da Aviação Civil saudita ter denunciado a morte de pelo menos três pessoas num ataque dos huthis com mísseis contra o aeroporto de Riade.
Um avião da companhia aérea nacional Saudia e algumas instalações do aeroporto ficaram danificados, segundo a autoridade do país árabe.
Este foi o segundo ataque dos huthis deste tipo, depois de na quarta-feira terem atacado os aeroportos de Riade e Abha (sudoeste), com um balanço de três mortos e mais de três dezenas de feridos.
Na sequência do novo ataque, as companhias aéreas dos Emirados Árabes Unidos, Etihad e Flydubai, anunciaram hoje o cancelamento dos voos para os aeroportos de Riade, Abha e Yanbu (oeste) até domingo.
Justificaram a decisão com "problemas operacionais imprevistos" no aeroporto da capital saudita.
Situado no sudoeste da península Arábica, o Iémen é um dos países mais pobres do mundo e está mergulhado numa vasta crise humanitária.
A Arábia Saudita é o maior apoiante do Governo do Iémen e participa ativamente na guerra contra os rebeldes xiitas huthis, em curso desde 2014.
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