Comissário europeu antecipa "meses e anos muito difíceis" devido à crise energética
Bruxelas divulgou, esta manhã, um conjunto de medidas para fazer face aos elevados preços da energia.
A Comissão Europeia antecipou esta quarta-feira "meses e anos muito difíceis" devido à atual crise energética causada pelo conflito no Médio oriente, admitindo pressão sobre o combustível para aviação e preocupação relativamente ao turismo da União Europeia (UE).
"Temos de ser bastante claros e diretos na forma como descrevemos o tipo de crise em que estamos agora [porque] isto não é um pequeno aumento de preços de curto prazo, trata-se de uma crise que é provavelmente tão grave como a de 1973 e a de 2022 combinadas, e isto significa que enfrentamos meses muito difíceis, ou talvez até anos, dependendo naturalmente da evolução no Médio Oriente", disse o comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, em Bruxelas.
Falando em conferência de imprensa, no dia em que a instituição apresentou um conjunto de medidas para fazer face à crise energética causada pela guerra do Irão iniciada por ataques norte-americanos e israelitas, Dan Jørgensen apontou que a aviação "é atualmente o setor sob maior pressão", dados os obstáculos ao querosene.
"Estamos plenamente conscientes de que as nossas economias dependem da nossa capacidade de voar. Muitas pessoas irão de férias este verão, muitas cidades, regiões e Estados-membros dependem do turismo e, naturalmente, estão muito preocupados", adiantou o responsável, em resposta à Lusa sobre os eventuais impactos para os próximos meses.
Bruxelas divulgou, esta manhã, um conjunto de medidas para fazer face aos elevados preços da energia, incluindo apoio direcionado a consumidores e empresas, possíveis reduções fiscais e ajustes de tarifas e utilização de instrumentos de mercado e reservas estratégicas.
"Mesmo no melhor dos cenários, a situação continua a ser negativa: se imaginarmos que há paz amanhã, ainda assim, por exemplo, o Qatar provavelmente levará dois anos ou até mais a reconstruir a sua produção de gás e a infraestrutura de transporte", apontou o comissário europeu.
De acordo com Dan Jørgensen, "isto significa que os preços da energia nos mercados globais não irão estabilizar nem baixar, como se esperava nos próximos anos".
No caso do petróleo, "a situação é um pouco diferente" e talvez "a capacidade de produção possa ser aumentada novamente com relativa rapidez, embora também a infraestrutura tenha sido danificada".
Contudo, "o pior cenário pode assumir muitas formas, dependendo da evolução da situação", avisou o responsável.
Já quanto ao combustível de aviação, Dan Jørgensen lembrou os alertas do setor, referindo que a UE pode "acabar numa situação em que isso se torne um problema real" de fornecimento de querosene.
"É por isso que hoje anunciámos a criação de um observatório com todos os dados necessários: onde está a capacidade, quem a detém, quanto importamos, quanto exportamos e onde é possível redistribuir em caso de necessidade", elencou, numa alusão ao anúncio esta quarta-feira feito de criação de um Observatório de Combustíveis para acompanhar as reservas na UE.
Presente na ocasião, a vice-presidente executiva responsável pela transição para uma economia limpa, justa e competitiva, Teresa Ribera, apontou que "tanto os líderes nacionais como as instituições europeias, incluindo a Comissão Europeia, partilham o objetivo comum de permanecer atentos e continuar a agir, caso sejam necessárias medidas adicionais".
A UE importa a maior parte do petróleo e gás que consome, o que a torna altamente exposta a choques externos como a atual crise energética.
Apesar de Bruxelas garantir não haver problemas no abastecimento de petróleo e de gás à UE, já se assiste à volatilidade dos preços, aumento dos custos para famílias e empresas, pressão inflacionista e perturbações na indústria e nos transportes, havendo maior sentido de urgência em diversificar fornecedores e acelerar a transição para fontes de energia mais seguras e renováveis.
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