Comunidade da Guiné-Bissau no Reino Unido planeia protestos em Londres
Objeto é ensibilizar a comunidade internacional para a situação política no país e pressionar a libertação do líder da oposição, Domingos Simões Pereira.
A comunidade da Guiné-Bissau no Reino Unido planeia vários protestos nos próximos dias para sensibilizar a comunidade internacional para a situação política no país e pressionar a libertação do líder da oposição, Domingos Simões Pereira.
A primeira manifestação será na sexta-feira junto à embaixada da Serra Leoa em Londres, país que acolhe no domingo a cimeira da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), cuja presidência rotativa é atualmente exercida pelo chefe de Estado daquele país, Julius Maada Bio.
Estão também previstos protestos junto à embaixada do Senegal, que detém a presidência da Comissão da CEDEAO, em Downing Street, residência oficial do primeiro-ministro britânico, e noutros espaços públicos da capital britânica.
Uma das organizadoras, Isaura Ferreira Dias, disse à agência Lusa que será entregue uma carta às autoridades em cada um destes locais.
"A ideia é, se nada mudar, realizar manifestações todas as semanas, porque parece que o mundo se esqueceu da Guiné-Bissau, até a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa)", afirmou.
A ativista salientou que o movimento conta com o apoio da diáspora guineense, para além do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), do qual Domingos Simões Pereira é presidente.
Por outro lado, lamentou a falta de mobilização dentro da Guiné-Bissau, justificando que "as pessoas têm medo" da repressão.
Domingos Simões Pereira está detido desde sexta-feira nas celas da Segunda Esquadra da Polícia de Ordem Pública (POP), em Bissau, após um período em prisão domiciliária.
O dirigente foi detido inicialmente na sequência do golpe militar de 26 de novembro e, após dois meses na cadeia, regressou a casa com termo de identidade e residência, mas impedido de se movimentar.
Em junho, foi tornado público um despacho judicial em que foi considerado suspeito de participação numa alegada tentativa de golpe de Estado cerca de um mês antes das eleições gerais de 23 de novembro.
A defesa de Domingos Simões Pereira tem contestado o processo, classificando-o como perseguição política.
O partido e Simões Pereira apoiaram o candidato Fernando Dias da Costa, que reclamou vitória na primeira volta sobre o Presidente e recandidato Umaro Sissoco Embaló.
Antes da divulgação dos resultados oficiais, os militares tomaram o poder, depuseram Embaló e prenderam Simões Pereira.
A oposição classifica o golpe militar como uma alegada encenação do antigo Presidente da República, a quem acusa de continuar a comandar os destinos da Guiné-Bissau.
O Alto Comando Militar que governa o país marcou novas eleições para 06 de dezembro, aprovou uma nova Constituição que atribui mais poderes ao chefe de Estado e que será submetida a referendo em 30 de agosto.
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