Comunidade portuguesa na Venezuela é das maiores da diáspora de Portugal
Mais de 80% da comunidade é originária da Região Autónoma da Madeira, mas também há portugueses do norte de Portugal continental.
A comunidade portuguesa na Venezuela, país atingido por dois sismos na quarta-feira, é uma das maiores da diáspora, sendo a segunda maior da América Latina, depois do Brasil.
Mais de 80% da comunidade é originária da Região Autónoma da Madeira, mas também há portugueses do norte de Portugal continental, principalmente de Aveiro, e em menor quantidade das ilhas dos Açores, segundo dados oficiais.
A comunidade continua a ser uma das mais influentes da diáspora e vista pelos venezuelanos como das mais integradas no país de acolhimento.
Sobre o número de portugueses e lusodescendentes a viverem no país, o Governo português refere que cerca de 220.000 pessoas estavam registadas nos serviços consulares na Venezuela em novembro do ano passado, mas este número não inclui os lusodescendentes, pelo que as autoridades calculam que a dimensão da comunidade "seja bastante superior", tendo em conta que o registo consular não é obrigatório.
Fontes da própria comunidade estimam que o número, incluindo os lusodescendentes, possa rondar os 1,2 milhões de pessoas.
Além de Caracas, a capital do país, é possível encontrar importantes núcleos de portugueses e luso-descendentes nas cidades de Valência, Maracay, Barquisimeto e Maracaibo, entre outras.
Em cidades como Los Teques, no estado venezuelano de Miranda, Mérida, no estado de Mérida, Puerto La Cruz, em Anzoátegui, e Puerto Ordáz, no estado de Guayana, os portugueses são também muitas vezes referenciados como exemplos de integração e pelos serviços que prestam localmente aos venezuelanos.
Nos estados de Miranda e Arágua, os portugueses e lusodescendentes desempenham um papel importante na produção e abastecimento de flores, produtos hortícolas e verduras a grandes cidades, entre elas Caracas e Valência.
Dois grandes sismos foram registados na Venezuela, na quarta-feira, causando pelo menos 164 mortos e mais de 900 feridos, segundo o balanço oficial provisório.
Segundo o Governo português, um português morreu na sequência destes sismos. A vítima, do sexo masculino, foi retirada dos escombros com vida, mas acabou por morrer a caminho do hospital.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros português já tinha anunciado que pelo menos cinco portugueses, quatro dos quais de uma família, estavam desaparecidos na sequência destes sismos.
O primeiro sismo de magnitude 7,2 ocorreu a cerca de 200 quilómetros de Caracas, seguido por um segundo de magnitude 7,5 e por cerca de 20 réplicas, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS).
Dezenas de edifícios ruíram ou ficaram gravemente danificados na região de La Guaira, a norte de Caracas, uma das mais afetadas.
As autoridades venezuelanas decretaram o estado de emergência.
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