CPLP apela "à solidariedade internacional" para vítimas das "crises climáticas" em Moçambique

Total de mortos provocado pelas chuvas em Moçambique subiu para 112, continuando três pessoas desaparecidas, além de 99 pessoas feridas.

20 de janeiro de 2026 às 23:53
Inundações em Moçambique forçam a deslocação de mais de 3 mil pessoas Foto: LUÍSA NHANTUMBO/Lusa_EPA
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O Secretariado Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) apelou esta terça-feira à "solidariedade internacional" para com as vítimas das "crises climáticas cíclicas" em Moçambique.

Num comunicado divulgado esta terça-feira, a organização expressa "a sua solidariedade para com o povo e o Governo da República de Moçambique" bem como "com as famílias enlutadas" na sequência das severas cheias que recentemente afetaram diversas regiões do país que é um dos nove Estados-membros da CPLP, "com perdas humanas, deslocação de populações e danos significativos em infraestruturas essenciais".

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E "apela à solidariedade internacional, com vista ao apoio às populações vulneráveis que vivem nas zonas afetadas pelas crises climáticas cíclicas em Moçambique, sobretudo nos locais críticos como as Províncias de Maputo e Gaza", nomeadamente ONU.

"No quadro dos compromissos assumidos no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, o Secretariado Executivo exorta os organismos internacionais competentes, designadamente a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa Alimentar Mundial (PAM), a Organização Meteorológica Mundial (OMM), entre outros, a unirem esforços, parcerias e ações concretas em prol da justiça climática", lê-se na nota.

Mas, a CPLP apela também "ao reforço de programas de prevenção nas áreas afetadas, à assistência humanitária às populações vulneráveis e ao apoio aos deslocados climáticos, bem como ao incremento dos recursos necessários para o combate às alterações climáticas e aos fenómenos extremos, como as chuvas torrenciais que se têm verificado na República de Moçambique".

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O Secretariado Executivo manifesta também ao Governo de Moçambique e "ao resiliente povo moçambicano" que "continuará a redobrar esforços para a implementação das decisões da Declaração da Cimeira que aprovou o Quadro Estratégico sobre Alterações Climáticas na CPLP, o qual contribuirá para a prevenção e para a redução do impacto associado às crises cíclicas vividas".

O total de mortos provocado pelas chuvas em Moçambique subiu para 112, continuando três pessoas desaparecidas, além de 99 pessoas feridas, segundo dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

De acordo com a base de dados do INGD, com números de 01 de outubro a 19 de janeiro, abrangendo já o atual período de cheias generalizadas no país, foram afetadas até ao momento 645.781 pessoas, equivalente a 122.863 famílias, com 11.233 casas parcialmente destruídas e 4.883 totalmente destruídas, agravando o balanço anterior.

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Até sexta-feira, era referido o total de 103 óbitos e 173 mil pessoas afetadas desde o início da época das chuvas em Moçambique, avançou nesse dia o Governo, decretando de seguida o alerta vermelho nacional.

O Governo moçambicano estima que 40% da província de Gaza está submersa, devido às fortes cheias dos últimos dias, e que vários distritos de Maputo estão inundados, além da total destruição de, pelo menos, 152 quilómetros de estradas nacionais.

As autoridades moçambicanas montaram segunda-feira um centro de coordenação nacional, liderado pelo porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, no aeroporto de Xai-Xai, província de Gaza.

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Esta terça-feira, prosseguem ações e tentativas de resgate de centenas de famílias que continuam sitiadas pelas cheias, algumas refugiadas em telhados de casas, tejadilhos de carros ou na copa das árvores, sobretudo em Maputo e Gaza, sul de Moçambique, resultado das fortes chuvas, quase ininterruptas desde há vários dias, e que estão a obrigar as barragens, incluindo dos países vizinhos, a aumentar fortemente as descargas, por falta de capacidade.

Estão envolvidos nestas operações, condicionadas pelo estado do tempo, seis helicópteros e quatro aeronaves.

Em Maputo, as estradas Nacional 1, para norte, e Nacional 2, para sul, continuam intransitáveis, devido à subida das águas.

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