Crianças arriscam a vida para chegar à Europa

As ruas de Ceuta são, por estes dias, a casa comum de milhares de migrantes que recusam regressar a Marrocos.

04 de agosto de 2026 às 01:30
Jovens em Ceuta encaram a polícia enquanto tentam entrar na Europa Foto: Nuno Alfarrobinha
Migrantes retornam a Marrocos após travessia a nado até Ceuta Foto: Antonio Sempere/AP
Migrantes sentados em fila enquanto a polícia supervisiona em Ceuta Foto: AP

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Entre os cerca de 70 mil migrantes que chegaram a Ceuta no final da semana passada, há pelo menos 862 menores, todos marroquinos, muitos deles crianças. De acordo com as autoridades da cidade autónoma espanhola, os três centros de asilo locais - La Esperanza, Tarajal Nueva Esperanza e Piniers - acolhiam na segunda-feira 862 menores, mas acreditam que o número seja bastante superior. O Governo regional admite que se encontram em instalações ilegais na cidade, especialmente nas montanhas, ou ainda não foram localizados pela polícia local, que tem transferido vários adolescentes e jovens para abrigos apropriados.

Não se sabe ao certo quantos migrantes arriscaram a vida para chegar à Europa, mas estima-se que terão sido cerca de 70 mil. O Governo espanhol, coordenado com as autoridades marroquinas, devolveram à origem a quase totalidade dos migrantes, mas ainda haverá entre três e cinco mil na cidade de Ceuta. Sem água, sem alimentos e sem qualquer apoio, não lhes restou alternativa senão aceitar o regresso às suas terras, mas muitos prometem resistir “até cair”.

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O número de vítimas mortais durante a travessia diverge, mas as autoridades admitem que possa ultrapassar a centena. Para já, estão confirmadas 88 vítimas mortais.

Os serviços secretos espanhóis ilibam as autoridades marroquinas de responsabilidades na ‘invasão’, mas deixaram que acontecesse, segundo noticiou na segunda-feira o jornal El País. De acordo com um relatório das secretas espanholas, a crise migratória teve origem num boato nas redes sociais, que levou milhares de jovens a acreditar que poderiam entrar em Espanha sem serem repatriados. Marrocos não desmentiu a informação e facilitou a passagem. Segundo o mesmo relatório, divulgado pelo ‘El País’, não se tratou de um plano organizado pelas autoridades marroquinas, mas de um ato de oportunismo. Na segunda-feira, a porta-voz do Governo espanhol, Elma Saiz, lamentou que o Executivo não tenha recebido qualquer relatório dos serviços de inteligência a alertar para qualquer crise migratória.

“É terrível”, diz Donald Trump

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Donald Trump foi dos primeiros a reagir à crise migratória em Ceuta. “É terrível”, disse ao canal Fox News. “Lembrem-se dessas imagens. Assim estaremos nós dentro de três anos se ganhar o lado errado”, advertiu o líder republicano, numa referência às eleições intercalares norte-americanas em novembro. Trump fez do combate à imigração a sua principal bandeira eleitoral nas presidenciais que ganhou a Kamala Harris.

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