Declaração de rendimentos de Cameron levanta novas suspeitas
Esquema terá servido para evitar pagar impostos.
O primeiro-ministro britânico, David Cameron, tornou ontem públicas as suas declarações de rendimentos numa tentativa de dissipar a controvérsia levantada pelo envolvimento da sua família nos Papéis do Panamá, mas viu-se imediatamente envolto em nova polémica, com a imprensa a acusá-lo de usar estratagemas para não pagar impostos sobre a herança do pai.
Em causa estão duas doações de 100 mil libras cada (125 mil euros) que Cameron recebeu da mãe, Mary, em 2011. No ano anterior, o PM britânico tinha recebido 300 mil libras (375 mil euros) de herança pela morte do pai, Ian Cameron. Não pagou qualquer imposto sobre esse valor, uma vez que o valor mínimo tributável em caso de herança é de 325 mil libras.
A imprensa britânica somou dois mais dois e diz que as doações da mãe não passaram de tranches adicionais da herança, as quais, se tivessem sido somadas ao valor inicial declarado, perfariam um total de 500 mil libras (cerca de 620 mil euros) e teriam de ser tributadas.
A explicação oficial avançada pelo gabinete do primeiro-ministro para as doações é de que se tratou de uma forma de a mãe compensar Cameron por este ter sido prejudicado na herança relativamente ao irmão, que herdou a casa da família.
As revelações vêm aumentar a pressão política sobre Cameron, que levou quatro dias para reconhecer que teve ações na offshore Blairmore Holdings, criada pelo pai nas Bahamas através da Mossack Fonseca. As declarações de rendimentos confirmam a versão posteriormente avançada por Cameron, que diz ter-se desfeito das ações que tinha na empresa em 2010 com um lucro de 19 mil libras, sobre o qual pagou os devidos impostos. Ainda de acordo com as declarações, o PM britânico auferiu no ano passado um rendimento de cerca de 200 mil libras (250 mil euros), tendo pago 76 mil libras (94 mil euros) de impostos.
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