Dêem-nos um sinal de vida dos nossos filhos

Noam e Aviva Shalit, Miki Goldwasser e Omri Avni, familiares dos soldados israelitas raptados há um ano em Gaza e no Líbano, vieram a Lisboa pedir o apoio da UE.

08 de julho de 2007 às 00:00
Dêem-nos um sinal de vida dos nossos filhos Foto: Vítor Mota
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- Correio da Manhã – Qual é o objectivo desta visita?

- Omri Avni – Portugal acaba de assumir a presidência da UE e achamos que é uma boa oportunidade para falar com algumas pessoas e pedir a todos os membros da UE para apoiarem o nosso caso, que é estritamente humanitário, fazendo pressão, usando quaisquer ligações que possam ter com o outro lado para nos ajudar.

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Como é que a UE pode fazer mais pressão?

– A UE está envolvida na reconstrução do Líbano e apoia financeiramente a Autoridade Palestiniana. Nós não estamos contra isso. Pedimos apenas uma pequena coisa em troca: dêem-nos um sinal de vida dos nossos filhos.

O governo israelita tem feito o suficiente?

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– Tem feito o melhor que pode, na medida em que não fala directamente com o Hamas nem com o Hez-bollah. Mas, 365 dias depois dos raptos, ainda estamos no ponto de partida. Estão a fazer muito, mas talvez não o suficiente.

Israel devia libertar presos palestinianos?

- Noam Shalit – Sim. Israel já concordou com uma troca de prisioneiros, mas é preciso decidir quais os presos a libertar. Mas o Hamas colocou na lista alguns dos terroristas mais perigosos. Este é o principal obstáculo.

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Como foi voltar a ouvir a voz do vosso filho na gravação divulgada pelos militantes?

– Primeiro foi o choque. Depois, alívio. Mas não sabemos como está de saúde, temos apenas conhecimento de que foi ferido mas é tudo... Enfim é melhor do que nada.

E quanto a vocês (Miki Goldwasser e Omri Avni, mãe e sogro de Ehud Goldwasser), como mantêm a esperança?.

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- Miki Goldwasser – Acredito que o meu filho está vivo e não vou parar até ao dia em que ele regresse. Sei que o Hezbollah queria apanhá-los vivos.

Se pudesse falar com os sequestradores o que lhes diria?

– Gostava muito de falar com Hassen Nasrallah [líder do Hezbollah]. Diria: “Você é pai. Você tem uma mãe que adora, como o meu filho me adora. E há códigos que não é possível quebrar, como as leis humanitárias assinadas por todos os países. E se quer fazer parte do movimento político, deve cumprir esses códigos e dar-nos um sinal de vida dos nossos filhos”.

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