Demissão de ministro é trunfo para Dilma
Romero Jucá foi demitido.
A exoneração do poderoso ministro do Planeamento, Romero Jucá, que foi gravado a dizer que era preciso travar a Operação Lava Jato, deu à presidente afastada Dilma Rousseff um inesperado trunfo para reforçar a tese de que foi vítima de um golpe de estado. Na conversa, gravada antes do afastamento de Dilma, Jucá diz que é preciso tirá-la do cargo para "estancar a sangria" das investigações.
"Se alguém ainda não tinha a certeza de que há um golpe em curso, as declarações fortemente incriminadoras de Jucá sobre os reais objetivos do impeachment eliminam qualquer dúvida. A gravação escancara a fraude, a conspiração por detrás do impeachment", disse Dilma num encontro com apoiantes.
Desde que Temer assumiu a presidência, no mesmo dia em que Dilma foi afastada, têm-se sucedido protestos de movimentos sociais ligados ao PT, inclusive com cerco à residência particular daquele em São Paulo. Em Brasília, Temer tem sido recebido com manifestações hostis de grupos como os ‘Sem Terra’, e esta semana, ao ir ao Congresso anunciar medidas económicas, deputados pró-Dilma receberam-no com gritos de "golpista".
Vários ministros de Temer, tal como de Dilma, são investigados na Lava Jato por suspeita de terem beneficiado dos desvios da Petrobras. Temer também foi citado em depoimentos, mas não é investigado.
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