Depois de um dia com dois fusos horários governo libanês aplica hora de verão

Governo adiou decisão de alterar horário, o que causou confusão e protestos.

27 de março de 2023 às 15:02
Beirute, Líbano Foto: REUTERS/Yara Abi Nader
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O Líbano vai adotar a partir de quinta-feira a hora de verão, anunciou esta segunda-feira o Governo, revertendo a decisão de adiar esta alteração durante um mês, que suscitou confusão e protestos de parte da população.

"O Governo decidiu manter as suas decisões precedentes relacionadas com a passagem para a hora de verão (...) que entrará em vigor na noite de quarta-feira para quinta-feira", anunciou esta segunda-feira o primeiro-ministro interino Najib Mikati após uma reunião do Executivo.

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A decisão do adiamento, anunciada dois dias antes da prevista passagem à hora de verão de sábado para domingo, originou uma reação adversa de dirigentes políticos e religiosos cristãos e acentuou a fratura comunitária num país multiconfessional.

"Esta decisão tinha por objetivo aligeirar [o dia] o jejum do mês do Ramadão", que se prolonga do nascer ao pôr do sol, justificou Mikati, ao lamentar "odiosas reações comunitárias".

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Após diversos apelos, em particular do patriarca maronita, a comunidade cristã mais importante do Líbano, parte do país recusou acatar o adiamento da alteração horária anunciada na semana passada.

Em consequência, o país que já enfrenta uma profunda crise política e económica, despertou sob dois fusos horários, que originaram perturbações nos voos internacionais ou em instituições com ligações ao estrangeiro, e após numerosos países terem adotado a hora de verão desde domingo passado.

Os dois principais partidos cristãos, as Forças Libanesas e a Corrente Nacional Livre, também protestaram contra a decisão do primeiro-ministro.

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Mikati, um muçulmano sunita que lidera um gabinete demissionário, dirige de facto o país desde o fim do mandato do Presidente da República, um cristão maronita, que expirou há cerca de cinco meses.

"Sejamos claros. O problema não é a hora de inverno ou de verão (...) o problema é a vaga na presidência da República", sublinhou Makati, apelando aos deputados a assumirem as suas responsabilidades e elegerem um Presidente.

O Parlamento, profundamente dividido, já ser reuniu 11 vezes para tentar eleger um novo chefe de Estado mas sem sucesso.

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No país do Médio Oriente, e na sequência do "pacto nacional" de 1943 pelo qual as funções públicas são determinadas por critérios religiosos, o Presidente provém da comunidade cristã maronita, o presidente do Parlamento dos muçulmanos xiitas e o primeiro-ministro dos muçulmanos sunitas.

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