Destruição da floresta da Amazónia bate novo recorde

Bolsonaro demite chefe de monitorização da desflorestação três dias após publicação dos dados do mês de junho.

Foto: Getty Images
Partilhar

Repetindo o que já se tornou uma rotina de retaliações, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro demitiu sumariamente a responsável pela monitorização da desflorestação da Amazónia, Lubia Vinhas, após a divulgação de um novo recorde de destruição da floresta. A demissão, de que ela só soube pela imprensa, ocorreu três dias após a divulgação dos números negativos.

Os dados mostram que no mês passado a Amazónia perdeu mais 1034,4 km2 de floresta, um aumento de 10,57% em relação ao mesmo mês de 2019, e que nos primeiros seis meses de 2020 a perda de área verde registou um aumento de 25%. Foi o 14º mês consecutivo de aumento de destruição na Amazónia em 18 meses de governo Bolsonaro.

Pub

Lubia, que era a coordenadora-geral do departamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) que monitoriza a destruição na Amazónia, não foi a primeira a perder o cargo após divulgar dados de que o governo não gostou. Em agosto do ano passado, o então diretor-geral do INPE, Ricardo Galvão, cientista de renome internacional, foi demitido da mesma forma depois de o instituto mostrar que a desflorestação da Amazónia já nessa altura batia recordes, e, como Bolsonaro costuma fazer quando um gestor lhe desagrada, foi substituído por um militar.

Em abril passado, outros dois profissionais ligados à questão ambiental e ao combate aos crimes contra a Amazónia também foram demitidos. René Luiz de Oliveira, coordenador-geral de fiscalização do Ibama, o órgão responsável pelo combate a crimes ambientais, e Hugo Ferreira Loss, coordenador de operações do mesmo órgão, foram exonerados depois de terem comandado operações que expulsaram garimpeiros e madeireiros que tinham invadido terras indígenas no interior do estado do Pará.

Em 2019, primeiro ano de governo de Jair Bolsonaro, quando o Brasil foi manchete no Mundo inteiro devido à violenta vaga de queimadas na Amazónia, o número de multas por crimes ambientais caiu 34%, sendo o menor em 24 anos.

Pub

Incumbido por Bolsonaro de formar o novo Conselho da Amazónia, o vice-presidente brasileiro, general Hamilton Mourão, nomeou para a entidade outros 19 militares e deixou de fora representantes da sociedade civil, dos povos indígenas e órgãos de fiscalização.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar