Detenção de Cunha assusta políticos
Parlamentares temem que ex-presidente da Câmara dos Deputados faça acordo com a Justiça e conte tudo.
Apesar de esperada há meses, a prisão, na quarta-feira, do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha deixou em pânico a classe política em Brasília. Aliados e adversários temem que Cunha, preso por corrupção, faça acordo de colaboração com a Justiça e conte tudo o que sabe sobre aqueles.
O impacto da detenção foi tão grande que o Congresso suspendeu votações importantes marcadas para quarta-feira e para ontem. Parlamentares calculam que Cunha, que construiu o seu imenso poder à custa da troca de favores e verbas com outros poderosos, tenha um arsenal explosivo que pode atingir, só na Câmara dos Representantes, mais de uma centena de deputados.
Cunha, que durante anos liderou a Câmara e foi o cérebro da destituição de Dilma Rousseff, teve o mandato anulado em setembro por quebra do decoro parlamentar. Jurando vingança contra os "traidores", passou as últimas semanas a coligir dossiês incriminatórios sobre deputados e outros políticos.
Habituado a uma vida de luxo, Cunha ocupa agora uma cela de 12 metros quadrados, com cama de cimento e um buraco no chão no lugar da sanita. Como vizinhos nas celas da sede da Polícia Federal de Curitiba tem outros presos por corrupção, como Marcelo Odebrecht, presidente da construtora Odebrecht, e António Palocci, ex-ministro das Finanças de Lula da Silva e da Casa Civil de Dilma.
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