Dezenas de milhares em Teerão para funerais de elementos das forças de segurança e civis

Multidão entoou cânticos e batia no peito em resposta a um apresentador que discursava a partir de um palco. Número de mortos após protestos já ultrapassa os dois mil.

14 de janeiro de 2026 às 12:26
Imagem de Ali Khamenei durante protestos de apoio às manifestações iranianas contra o governo Foto: Michael Buholzer/AP
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Dezenas de milhares de pessoas concentraram-se esta quarta-feira na capital iraniana, para assistirem aos funerais de mais de 300 membros das forças de segurança e de civis.

Segundo reporta a agência noticiosa Associated Press (AP), muitos dos presentes nas ruas junto à Universidade de Teerão empunhavam bandeiras iranianas e fotografias idênticas do ayatollah Ali Khamenei e dos seus familiares.

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Os caixões, cobertos com bandeiras do Irão, estavam empilhados pelo menos em três níveis na traseira de camiões, decorados com rosas vermelhas e brancas e fotografias emolduradas das pessoas que morreram.

A multidão entoou cânticos e batia no peito em resposta a um apresentador que discursava a partir de um palco.

A agência de notícias France-Presse (AFP), que recorre às imagens da televisão estatal, reporta, por seu lado, que Teerão é palco de uma "grande concentração de pessoas que assistem ao funeral de mais de 100 membros das forças de segurança e outros "mártires" mortos durante os protestos contra o poder no Irão.

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Um homem no meio da multidão exibiu uma fotografia do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a tentativa de assassínio na Pensilvânia, com a frase: "A seta nem sempre falha!".

O apresentador, com a voz amplificada por todo o recinto, responsabilizou os Estados Unidos pela agitação.

"Todos os nossos problemas são por causa dos Estados Unidos, os problemas económicos de hoje são por causa das sanções norte-americanas. Morte aos Estados Unidos!», gritou, levando dezenas de milhares de pessoas, vestidas maioritariamente de preto, a repetir a mesma palavra de ordem.

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Segundo indicou esta quarta-feira a Agência de Notícias dos Ativistas pelos Direitos Humanos (HDRANA, na sigla em inglês), com sede nos Estados Unidos, o número de mortes nos protestos contra o regime iraniano chegou aos 2.571.

Segundo a organização não governamental (ONG) criada por exilados iranianos, 2.403 dos mortos são manifestantes e 147 ligados às forças de segurança e ao Governo.

Terça-feira, a mesma ONG afirmou que 12 crianças foram mortas, juntamente com nove civis que não participavam nos protestos. O número de detidos também aumentou para mais de 18.100.

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O anterior balanço divulgado pela HDRANA apontava para pelo menos 2.003 vítimas mortais desde o início dos protestos, em 28 de dezembro.

O número divulgado pela ONG supera em muito o número de mortos de qualquer outra onda de protestos ou distúrbios no Irão em décadas e faz lembrar o caos que envolveu a Revolução Islâmica de 1979 no país.

Skylar Thompson, da HDRANA, disse à AP que o balanço é "chocante", sobretudo porque atingiu em apenas duas semanas quatro vezes o número de vítimas dos protestos após a morte de Mahsa Amini em 2022, quando estava sob custódia da "polícia da moralidade".

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"Estamos horrorizados, mas achamos que o número é conservador", declarou.

A televisão estatal iraniana reconheceu na terça-feira pela primeira vez um elevado número de mortes, afirmando que foram registados "muitos mártires". Um apresentador leu uma declaração que dizia que "grupos armados e terroristas" levaram o país "a entregar muitos mártires a Deus", embora sem detalhar qualquer número.

Os meios de comunicação social estatais noticiaram que pelo menos 121 membros das forças militares, policiais, de segurança e judiciais da República Islâmica morreram durante os protestos, segundo outra ONG, a Human Rights Iran (HRINGO).

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O Irão está a ser agitado por uma vaga de protestos desde 28 de dezembro, iniciada em Teerão por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a mais de 100 cidades.

A taxa de inflação anual é superior a 42% e, durante 2025, o rial perdeu 69% do seu valor face ao dólar, num contexto em que a economia foi fortemente atingida pelas sanções dos Estados Unidos e da ONU devido ao programa nuclear de Teerão.

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