Dinamarca considera que ambição de Trump para a Gronelândia se mantém "intacta"
Governo dinarmarquês saudou, contudo, as declarações do Presidente norte-americano sobre a ausência de recurso à força para o conseguir.
O Governo dinamarquês considerou esta quarta-feira que a vontade de Donald Trump de se apoderar da Gronelândia se mantém "intacta", embora tenha saudado as declarações do Presidente norte-americano sobre a ausência de recurso à força para o conseguir.
"O que resulta claramente deste discurso é que a ambição do Presidente [norte-americano] se mantém intacta", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, aos jornalistas, na primeira reação da Dinamarca ao discurso de Trump em Davos.
"É naturalmente positivo, isoladamente considerado, que seja dito que 'não vamos recorrer à força militar'; isso deve obviamente ser tido em conta, mas não faz desaparecer o problema", acrescentou o ministro.
Ao mesmo tempo, em Nuuk, capital da Gronelândia, o Governo local apresentou hoje uma nova brochura com orientações para a população em caso de uma "crise" no território, que vem sendo ativamente defendida por Trump.
Este documento é "uma apólice de seguro", afirmou o ministro da Autossuficiência gronelandês, Peter Borg, numa conferência de imprensa.
"Esperamos que não seja necessário utilizá-la", acrescentou.
Hoje, numa intervenção que excedeu em muito os 30 minutos reservados a cada responsável que tem discursado no Fórum Económico Mundial, em Davos, Trump excluiu o recurso à força para assumir o controlo da Gronelândia, mas reiterou a intenção de adquirir o território por considerar que só os Estados Unidos o podem proteger.
"Provavelmente não conseguiremos nada, a menos que eu decida usar força e violência excessivas, o que nos tornaria, francamente, imparáveis. Mas não farei isso. Ok. Agora todos dizem 'Oh, que bom'. Essa foi provavelmente a maior declaração que fiz, porque as pessoas pensavam que eu iria usar a força. Não tenho de usar a força. Não quero usar a força. Não vou usar a força", disse Trump.
Numa intervenção aguardada com muita expectativa, face às tensões entre os Estados Unidos e a Europa devido precisamente à pretensão da administração norte-americana de assumir o controlo do território autónomo dinamarquês sob a égide da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), Trump teceu muitas críticas ao continente europeu, que considerou estar em declínio e ser fraco.
O Presidente norte-americano sublinhou que tem "imenso respeito pelos povos da Gronelândia e da Dinamarca", mas ressalvou que "cada membro da NATO tem a obrigação de defender o seu território", algo que considera que a Dinamarca não é capaz de fazer.
Lamentando que os Estados Unidos tenham devolvido o território à Dinamarca após o fim do conflito mundial em 1945, o que considerou "uma estupidez", Trump afirmou que a Dinamarca está a ser "ingrata" -- crítica que também dirigiu à própria Aliança Atlântica --, e frisou que tudo o que pede "é um pedaço de gelo".
"Peço muito pouco, comparando com o que lhes demos durante muitas, muitas décadas [...]. Têm duas possibilidades: ou dizem sim, e ficaremos muito agradecidos, ou dizem não, e lembrar-nos-emos", declarou Trump, que pediu a abertura de "negociações imediatas" com vista à aquisição da Gronelândia, território ao qual se referiu erroneamente por diversas vezes como Islândia.
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