Dinamarca pede a UE que não exclua nenhuma resposta a Trump acerca da Gronelândia

"Não devemos excluir nenhuma resposta da comunidade europeia", afirmou a ministra dos Assuntos Económicos dinamarquesa.

20 de janeiro de 2026 às 12:54
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A Dinamarca pediu esta terça-feira aos parceiros europeus que não "excluam qualquer resposta" às ameaças do Presidente norte-americano de assumir o controlo da Gronelândia, embora tenha também apelado a que se "insista" no diálogo para evitar uma escalada.

"Com as ameaças que o Reino da Dinamarca está a sofrer e os efeitos colaterais para a economia europeia e para as relações transatlânticas [...], não devemos excluir nenhuma resposta da comunidade europeia", afirmou a ministra dos Assuntos Económicos dinamarquesa, Stephanie Lose, em declarações à imprensa antes da reunião dos ministros das Finanças da União Europeia (UE - EcoFin).

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A responsável pela pasta económica do Governo dinamarquês respondia após ser questionada sobre uma eventual ativação do chamado instrumento anti-coerção da UE contra Washington, um mecanismo aprovado em 2023 para proteger o bloco de pressões económicas de países terceiros -- inicialmente pensado tendo em vista a China --, que nunca foi utilizado até ao momento e que permite restringir as atividades de empresas norte-americanas na UE.

A posição da Dinamarca, indicou Lose, é que "as tarifas não são, em circunstância alguma", a forma de encontrar uma solução para o conflito, por ser "evidente" que prejudicariam tanto a economia norte-americana como a europeia.

Nesse sentido, defendeu diálogo com a administração do Presidente Donald Trump para "evitar uma escalada" comercial, mas advertiu que "terá de haver uma resposta europeia em algum momento" se "outros optarem por escalar".

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Após um encontro bilateral com a homóloga dinamarquesa, a ministra das Finanças da Suécia, Elisabeth Svantesson, considerou "triste e totalmente absurdo" que Trump esteja a "chantagear" outros países "através de ameaças" e apelou aos Estados-membros da UE para que "permaneçam unidos" e exerçam também "pressão" sobre Washington.

O ministro das Finanças lituano, Kristupas Vaitiekunas, defendeu o esgotamento de todas as outras vias de pressão antes de ativar o instrumento anti-coerção, como, por exemplo, o pacote de 93.000 milhões de euros em tarifas sobre importações provenientes dos Estados Unidos, que será acionado caso a UE não decida o contrário até 07 de fevereiro.

"Creio que a resposta tem de ser unificada e, antes do instrumento anti-coerção, devem ser utilizadas outras medidas. Tudo o que tenha uma dimensão inferior ao mecanismo anti-coerção deve ser usado primeiro", sustentou.

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O ministro das Finanças irlandês, Simon Harris sublinhou, por sua vez, a via diplomática nos próximos dias, que classificou como "crucial" para o futuro da relação entre a União Europeia e os Estados Unidos.

"É absolutamente essencial prosseguir com esforços diplomáticos intensos para tentar diminuir a tensão de uma situação económica extremamente perigosa. Sabemos que as tarifas seriam prejudiciais para a economia irlandesa, europeia e norte-americana, mas a questão é mais profunda do que isso. Há o potencial de provocar uma espiral de ações desestabilizadoras", advertiu.

Embora não conste da agenda formal da reunião, é expectável que os ministros das Finanças da UE realizem uma primeira troca de impressões sobre uma eventual resposta do bloco às ameaças feitas por Trump nos últimos dias com o objetivo de assumir o controlo da Gronelândia.

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Os esforços diplomáticos prosseguem esta semana no Fórum de Davos e no âmbito do G7, atualmente presidido pela França. Em paralelo, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, convocou para quinta-feira uma reunião extraordinária dos chefes de Estado e de Governo da UE.

Trump anunciou no sábado que iria impor, a partir de 01 de fevereiro, uma tarifa de 10 % sobre todos os produtos de oito países europeus que enviaram militares para a Gronelândia, que subiria para 25 % em junho e se manteria em vigor até à conclusão de um acordo para a "compra total e plena da Gronelândia" por parte de Washington.

Os países são, além da Dinamarca, a Noruega, Suécia, França, Alemanha, Holanda, Finlândia e Reino Unido.

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