"Disseram-nos para entrar no mar e nadar": Em Ceuta, há ainda quem acredite em concretizar o sonho de viver na Europa

"Não queremos voltar para Marrocos. Custou muito chegar aqui. Quase morríamos afogados", disse ao CM Mohamed, enquanto procurava comida nos caixotes do lixo.

02 de agosto de 2026 às 01:30
Militar acompanha um dos últimos jovens a chegar a Ceuta Foto: Nuno Alfarrobinha
Jovens provenientes de Marrocos tentam entrar na fronteira em Ceuta Foto: Nuno Alfarrobinha
Migrantes regressam a Marrocos de autocarro, depois da intervenção das autoridades Foto: Jalal Morchidi

1/3

Partilhar

Tanques de guerra à porta de supermercados e lojas, carros da Guardia Civil e da Polícia Nacional espanhola de um lado para o outro, milhares de migrantes a deambularem pelas ruas à procura de água e comida. Este era o cenário dramático que ainda se vivia ontem em Ceuta. Homens, mulheres, muitos menores e até crianças fizeram-se ao mar em Marrocos e nadaram até à cidade autónoma espanhola. As autoridades estimam que terão sido 70 mil, sendo que 60 mil já regressaram voluntariamente. Mais de 100 morreram na travessia.

Os moradores locais dizem que "o pior já passou". Só resistem aqueles que acreditam que ainda podem concretizar o sonho de viver na Europa. "Em Marrocos disseram-nos para entrar no mar e nadar para conseguirmos uma vida melhor, mas quando chegámos aqui encontrámos a polícia espanhola e os militares e a expulsar-nos de Espanha. Não queremos voltar para Marrocos. Custou muito chegar aqui. Quase que morríamos afogados", disse ao CM Mohamed, enquanto procurava comida nos caixotes do lixo.

Pub

Outros estão a ser ajudados por moradores locais. “Este rapaz de 14 anos chegou ao hospital com suspeita de pneumonia, mas o hospital está lotado e teve de o mandar embora”, lamenta uma assistente de enfermagem do Hospital de Ceuta. Muitos estabelecimentos que foram obrigados a fechar, devido às tentativas de entrada em grupo para conseguirem comida, já reabriram. As festas populares foram suspensas, mas muitos turistas continuam as suas férias tranquilamente nas praias, mesmo ao lado do pontão e areal onde esta crise humanitária aconteceu nos últimos dias.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar