Documentos sugerem que Epstein planeava engravidar mulheres para criar "super-raça" com "genes superiores"
Plano terá sido falado com grandes empresários e cientistas anos antes de Epstein ter sido condenado.
Jeffrey Epstein tinha um plano para usar o próprio esperma para engravidar 20 mulheres, com o objetivo de criar uma "super raça" com "genes superiores", sugerem alguns e-mails revelados na mais recente tranche de documentos do caso divulgada.
O jornal britânico The Guardian, citado pelo Mirror, avançou em 2019 que Epstein tinha planos para engravidar 20 mulheres de uma vez e usar uma combinação de inteligência artificial e engenharia genética para criar uma "super-raça".
Epstein contava seguir os planos, idealizados vários anos antes de ser condenado por crimes sexuais contra crianças em 2008, numa propriedade que tinha no Novo México, nos EUA. Acredita-se que o financeiro tinha falado do plano com grandes empresários e cientistas desde pelo menos os anos 2000.
Os documentos divulgados na semana passada contêm passagens que remetem para o alegado plano de Epstein.
Entre os três milhões de documentos divulgados pelo Departamento de Justiça norte-americano, está uma entrada de um diário de uma adolescente, avança o jornal britânico Mirror. A jovem alega que teve um filho de Epstein, quando tinha cerca de 16 anos, em 2002, e que a namorada do financeiro à época, Ghislaine Maxwell, esteve presente no parto.
No diário, a menina escreve que a filha recém-nascida foi-lhe tirada apenas 10 minutos após dar à luz. "Ela nasceu, eu ouvi o choro! Vi esta cabeça pequenina e o corpo nas mãos do médico. Ghislaine disse que ela era linda. Onde é que ela está?", lê-se.
A adolescente explica ainda que foi "transformada naquilo que parece uma incubadora humana". Mas o caso não fica por aqui. Uma outra passagem no diário demonstra uma preocupação com um "fundo genético superior", alegadamente de Epstein.
"Os comentários sobre piano e música são feitos para me convencer que isto está certo e irá criar o descendente perfeito", escreve a mulher. "Porquê eu? A minha cor de olhos, a minha cor de olhos?", questiona ainda.
Num e-mail divulgado também nesta tranche de documentos, o remetente, que se julga ser Sarah Ferguson, ex-mulher do príncipe Andrew, então Duque de Iorque, congratulou Jeffrey Epstein pelo nascimento de um "menino". "Não sei se ainda estás neste bbm [BlackBerry Messenger], mas ouvi através do Duque que tiveste um menino", lê-se no e-mail. "Embora nunca tenhas mantido o contacto, ainda estou aqui com amor, amizade e parabéns pelo teu filho. Sarah", terminou.
Poucos minutos depois, o mesmo remetente enviou a seguinte mensagem a Epstein: "Desapareceste. Nem sabia que ias ter um bebé. Era tãooooo claro para mim que só foste meu amigo para chegar ao Andrew".
A vítima Virginia Giuffre, que acusou o príncipe Andrew de assédio sexual em três ocasiões quando era adolescente, já tinha alegado que Maxwell e Epstein a tentaram convencer a ter um filho do financeiro.
Giuffre, que morreu aos 41 anos em abril de 2025, escreveu no livro de memórias Nobody's Girl' que estava preocupada com os planos que o casal tinha para a criança que desejavam. "E se o bebé fosse uma menina? O plano de Epstein e Maxwell era fazer-me criar a menina até à puberdade e depois entregá-la para eles abusarem dela?", pensou Giuffre, segundo escreveu no livro póstumo, publicado em outubro de 2025.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt