Donald Trump diz que "nenhum país está em posição de garantir a segurança da Gronelândia tirando os EUA"

No discurso no Fórum de Davos, presidente norte-americano voltou a manifestar intenção de abrir de imediato negociações pelo território. "Se usássemos a força seríamos imparáveis. Mas não vamos fazer isso".

21 de janeiro de 2026 às 11:57
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O presidente norte-americano, Donald Trump, discursou no Fórum de Davos onde, entre outros, abordou o tema da aquisição da Gronelândia, as relações dos EUA com a Europa e dentro da NATO e a situação económica interna dos EUA.

"Os americanos estão muito satisfeitos comigo", afirmou o Presidente norte-americano na abertura do discurso, destacando o crescimento económico que afirma serem resultado direto das suas políticas no último ano. "Há um ano herdei um país morto dos radicais da esquerda Democratas. Hoje somos o país mais na moda do mundo", disse, sublinhando que os EUA são "o motor económico" do mundo.

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Trump dirigiu críticas à Europa, dizendo que "alguns locais" do continente "já nem se reconhecem". "Não quero insultar ninguém, mas isso não é bom. Não estão a ir na direção certa".

Abordando a questão da Venezuela, Trump diz que o país está a cooperar com Washington e salientou que, só na última semana, os EUA estrairam 50 milhões de barris de petróleo do país. "Estamos a dividir o dinheiro com eles, agradecemos a cooperação deles. Quando o ataque acabou disseram 'vamos fazer um acordo'... mais pessoas deviam fazer isso", disse.

O chefe de Estado norte-americano destacou a liderança do país no campo da inteligência artificial. E criticou o Novo Acordo Verde como "o maior embuste da história". "É suposto ganharem dinheiro com energia, não perdê-lo", disse. Disse que a China vende energia eólica "às pessoas estúpidas que a compram" mas que usam o carvão para consumo próprio.

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Trump disse "preocupar-se com a Europa", e salientou as suas origens no continente, ele que é descendente de escoseses e alemães. "Acreditamos imenso nos laços que partilhamos com a Europa é por isso que é importante escolhermos o crescimento económico".

Disse, contudo, que a Europa se está "a destruir" e que quer os aliados europeus "fortes". E falou do tema da Gronelândia. "Gostavam que dissesse algumas palavras? Tenho muito respeito pelas pessoas da Gronelândia e da Dinamarca. Mas cada aliado da NATO deve conseguir defender o seu território. Nenhum país está em posição de garantir a segurança da Gronelândia tirando os EUA".

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"Se não fossem os EUA na Segunda Guerra Mundial, a Europa agora estaria a falar alemão e um bocadinho de japonês, talvez", afirmou o líder norte-americano. Afirmando que os EUA deveriam ter então garantido a posse do território e foram "estúpidos" ao não o fazer, acusou ainda a Dinamarca de estar "a ser ingrata" e descreveu a Gronelândia como "um território por explorar". Negou que queira a Gronelândia pelo seu potencial económico, mas por questões de "segurança estratégica".

"São os EUA que podem desenvolver este território e torná-lo seguro para os EUA e para a Europa", afirmou o presidente norte-americano, garantindo que "não seria uma ameaça para a NATO" e acusando a aliança de tratar Washington de forma injusta. "Damos tanto e recebemos tão pouco em troca". Voltou a dizer que quer negociações para adquirir o território, e intimou que os EUA poderiam usar a força na Gronelândia, antes de descartar a ideia. "Seríamos imparáveis. Mas não vou fazer isso. Tudo o que queremos da Dinamarca é esta terra", disse.

Reafirmando a sua incerteza de que os países da NATO defenderiam os EUA em caso de ataque (recorde-se que a única vez que o Artigo 5º da aliança foi invocado, foram os EUA a fazê-lo após o 11 de setembro), anteviu que o futuro da Gronelândia poderá determinar o futuro das relações entre os EUA e a Europa: "Têm uma escolha: podem dizer que sim, e nós vamos agradecer. Ou podem dizer que não, e vamos lembrar-nos disso".

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Deixou ainda uma ameaça no ar ao Canadá, que afirmou estar a ser "ingrato" face a Washington. "Mark [Carney, primeiro-ministro candianao], o Canadá vive por causa dos EUA, lembra-te disso". O chefe do governo do Canadá deixou esta terça-feira duras críticas a Trump e às pretensões norte-americanas.

Voltou depois a falar da guerra na Ucrânia e a afirmar que travou "oito guerras no último ano". Disse que Washington vai "ajudar" a parar o conflito, que "não ajuda os EUA" e a manifestar a sua crença de que Zelensky e Putin querem um acordo. Anunciou ainda que se encontrará com Zelensky ainda esta quarta-feira em Davos.

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Recorde-se que o avião presidencial de Trump teve um "pequeno problema"e foi forçado a regressar a Washington. Só mais tarde é que o republicano pode remotar viagem. Trump é a figura de cartaz do Fórum Económico Mundial, onde o norte-americano planeia ficar dois dias.

Trump regressa a Davos seis anos depois de ter marcado presença no fórum em 2020, durante o seu primeiro mandato na Casa Branca.

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