“É como acampar no fim-de-semana” (COM VÍDEO)
O primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi é sobejamente conhecido pelas suas gaffes, mas ontem passou também por insensível, ao comparar o sofrimento dos milhares de desalojados pelo sismo da passada segunda-feira a "um fim-de-semana no campismo".<br/><br/>
Fiel ao seu estilo jocoso, o chefe do governo italiano pretendeu certamente aligeirar a entrevista que estava a dar a uma cadeia de televisão alemã, mas o resultado foi desastroso. Ao falar dos milhares de desalojados que passaram as últimas noites em tendas, Berlusconi excedeu-se claramente: 'Não lhes falta nada. Têm cuidados médicos, água quente... É claro que se trata de uma situação provisória, pelo que devem pensar nisto como um fim-de-semana no campismo', afirmou o primeiro-ministro, esquecendo-se de que estava a falar de pessoas que ficaram sem casa e perderam familiares e amigos.
O último balanço avançado pelas autoridades italianas apontava para 272 mortos, 16 dos quais crianças, 1179 feridos e cerca de 28 mil desalojados. Cerca de 20 pessoas continuavam dadas como desaparecidas.
A região Centro de Itália continua a ser sacudida por fortes réplicas do sismo de segunda-feira, a maior das quais, na terça-feira à noite, atingiu os 5,6 graus na Escala de Richter e matou uma pessoa.
As operações de busca para tentar encontrar sobreviventes vão continuar pelo menos até hoje, embora seja cada vez mais reduzida a esperança de ainda encontrar alguém com vida.
Ontem já se realizaram os primeiros funerais de vítimas do sismo, tendo o Parlamento decretado o dia de amanhã como dia de luto nacional. Também amanhã deverão realizar-se as cerimónias fúnebres de Estado para a maioria das vítimas. O Papa Bento XVI, que ontem voltou a rezar pelas vítimas, prometeu que visitará a região afectada 'assim que for possível'.
Entretanto, as autoridades transferiram em segredo os 150 presos – incluindo líderes mafiosos e terroristas – da cadeia de alta segurança de L’Aquila, que ameaçava ruir.
'SÓ AGORA ME SINTO SEGURA'
Foi com muitas lágrimas e abraços que a família recebeu ontem de madrugada Liliana Ferronha, uma das estudantes que estava em L’Aquila na altura do sismo. À sua espera a estudante tinha a irmã e um tio que aguardavam ansiosos pela sua chegada.
'É muito bem ter a minha irmã de volta. Ela já me tinha dito que estava bem, mas precisava de a ver para ter a certeza', explicou a irmã Carina.
O tio Mário também não conseguiu esconder a alegria por ter de volta a 'a sua menina sã e salva'.
Apesar de contente por voltar a casa, Liliana ainda não estava refeita da tragédia por que passou. 'Se fechar os olhos ainda consigo ouvir o barulho das sirenes na minha cabeça. Só me sinto segura agora que cheguei a casa', explicou.
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