É um pássaro? É um avião? Não, é a Estação Espacial a cair do céu

Infraestrutura deverá ser descontinuada em 2030. Mas o plano de a fazer cair no mar está a levantar preocupação.

25 de julho de 2026 às 01:30
Estação Espacial Internacional deve deixar de funcionar daqui a quatro anos Foto: ESA/NASA/TIM PEAKE
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Faltam cerca de 1600 dias (ou perto de quatro anos) para que, se tudo correr como planeado pela NASA, a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) atinja o seu fim de vida útil. A ideia é que, no final de dezembro de 2030, um dos maiores equipamentos construídos no Espaço possa sair de órbita e vir em direção à Terra. O destino? O Ponto Nemo, no oceano Pacífico, o local mais isolado em todo o planeta. Localizado a mais de 2 mil km de uma massa de terra, o Ponto Nemo já foi utilizado, no passado, como cemitério de objetos espaciais. Curiosamente, está tão afastado de Terra que os humanos mais próximos são os astronautas da ISS, que orbitam a cerca de 400 km.

A NASA planeia fazer este desmantelamento em duas fases: primeiro, em 2028, a ISS começará a perder altitude. Segue-se depois a utilização de um veículo espacial feito pela SpaceX, de Elon Musk, que deverá acoplar-se ao módulo espacial. Recorrendo a 46 propulsores, trará a estação de volta a casa, guiando-a até à entrada na atmosfera terrestre.

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No entanto, o plano para ‘despenhar’ a estação no oceano Pacífico está a gerar uma onda de contestação, em particular junto de associações ecologistas. Segundo Mark Spalding, presidente da fundação Ocean Foundation, citado pelo site Space.com, este plano da NASA levanta “preocupações sérias para a vida dos oceanos que a comunidade do Espaço ainda não abordou de forma adequada”.

Segundo o responsável, há “um buraco na lei internacional” que as agências espaciais utilizam para fazer cair objetos no Ponto Nemo. “Quando as agências conseguem controlar onde caem os destroços, apontam sempre a alto-mar. Ao fazê-lo, deixam de estar obrigadas a pagar para limpar o oceano”, considera Mark Spalding. O responsável diz ainda “compreender” a lógica de mandar estes objetos para o Ponto Nemo. Mas “o afastamento de infraestruturas humanas não deve ser confundido com falta de valor. O oceano e as suas criaturas merecem a mesma proteção de outros territórios”.

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