Economia será destaque no discurso do Estado da União de Donald Trump

Donald Trump fará na terça-feira o primeiro discurso sobre o Estado da União do segundo mandato, perante uma sessão conjunta do Congresso.

22 de fevereiro de 2026 às 10:56
Economia será destaque no discurso do Estado da União de Donald Trump
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O Presidente norte-americano antecipou que a economia vai estar em destaque no discurso sobre o Estado da União, na próxima semana, pretendendo abordar os esforços para conter o elevado custo de vida no país.

Donald Trump fará na terça-feira o primeiro discurso sobre o Estado da União do segundo mandato, perante uma sessão conjunta do Congresso.

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O Presidente já havia discursado diante dos congressistas em março do ano passado, durante uma hora e 40 minutos, mas esse pronunciamento não foi tecnicamente um discurso sobre o Estado da União.

Normalmente, os Presidentes iniciam o mandato com um discurso conjunto no Congresso no início do primeiro ano de mandato e, nos anos seguintes, passam a fazer discursos formais sobre o Estado da União.

Num evento no estado da Geórgia, na quinta-feira, o chefe de Estado indicou que a economia será um dos principais focos do discurso, apesar da atual paralisação parcial do Governo.

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"Tivemos inflação recorde. Não a temos mais. (...) Farei um discurso sobre o Estado da União na terça-feira. Espero que vocês assistam e que possamos conversar sobre isso", afirmou.

O foco de Trump na economia surge num momento em que a maioria dos norte-americanos afirma estar muito preocupada com o custo da saúde, dos alimentos e dos bens de consumo, de acordo com as mais recentes sondagens.

Ainda na quinta-feira, Donald Trump elogiou as amplas políticas tarifárias, quando ainda não sabia que, no dia seguinte, o Supremo Tribunal norte-americano ia derrubar a maioria dessas tarifas, num duro golpe para o Presidente.

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O Supremo Tribunal decidiu na sexta-feira que Trump excedeu a autoridade ao impor tarifas abrangentes usando uma lei reservada para emergências nacionais.

Trata-se de um raro revés para o Governo no Supremo, que possui uma maioria conservadora.

A decisão não afeta todas as tarifas de Trump, mantendo em vigor aquelas que foram impostas sobre aço e alumínio através de leis diferentes.

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No entanto, altera as tarifas em duas categorias: as chamadas "tarifas recíprocas", que variam de 34% para a China a uma base de 10% para o resto do mundo, e uma tarifa de 25% que Trump impôs a alguns produtos de Canadá, China e México devido ao que alegou ser a falha desses países em conter o fluxo de fentanil.

Nesse sentido, é esperado que Trump aborde a decisão do Supremo no Estado da União, uma vez que a estratégia económica do Presidente norte-americano assentava, em grande parte, no amplo plano tarifário.

O discurso do Estado da União (State of the Union) é uma tradição política iniciada pelo primeiro presidente dos Estados Unidos George Washington, com várias alterações ao longo dos séculos.

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O momento é exigido pela Constituição norte-americana, que orienta o Presidente a manter os legisladores informados sobre a situação do país e a propor prioridades legislativas.

O discurso de terça-feira está agendado para as 21:00 (02:00 em Lisboa) e será proferido em plena campanha para as eleições intercalares de novembro, com a gestão da economia a torna-se a questão primordial para muitos eleitores.

Um grupo de legisladores democratas pode boicotar o discurso de Donald Trump, avançou a imprensa norte-americana.

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A intenção é tornar visível a oposição dos democratas às políticas económicas e sociais do republicano.

O movimento de oposição reflete o aumento das tensões partidárias no país, já que o discurso ocorre num momento de paralisação do Departamento de Segurança Interna e num impasse sobre a política de imigração, após agentes terem assassinado a tiro dois cidadãos norte-americanos em Minnesota no mês passado.

Durante a paralisação orçamental do Governo em 2019, Trump, no primeiro mandato, entrou em conflito com a então presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, que solicitou o adiamento do discurso do Estado da União até que o problema do orçamento fosse resolvido.

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Mas o Presidente parece preparado para fazer o discurso da próxima semana, apesar dos protestos democratas.

A governadora da Virgínia, Abigail Spanberger, fará o discurso de resposta democrata ao pronunciamento de Donald Trump, apenas alguns meses depois de ter vencido a eleição para um cargo anteriormente ocupado por um republicano.

Mas a réplica de Spanberger não será a única resposta democrata a Trump na noite de terça-feira, uma vez que o senador da Califórnia, Alex Padilla, fará uma réplica em espanhol.

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