Economista portuguesa Maria da Conceição Tavares morre no Brasil aos 94 anos
Considerada uma referência mundial em economia, a mulher foi incansável na sua luta política, humana e de transmissão de conhecimentos.
A economista portuguesa Maria da Conceição Tavares, um dos maiores nomes de sempre do pensamento desenvolvimentista no Brasil, morreu este sábado, 8 de junho, aos 94 anos. A famosa economista, professora, deputada e escritora, nascida em 24 de abril de 1930 em Anadia, Aveiro, e radicada no Brasil desde 1954, morreu na sua casa em Nova Friburgo, na região serrana da cidade do Rio de Janeiro.
Considerada uma referência mundial em economia, Maria da Conceição Tavares era famosa pelo vastos conhecimentos económicos quanto pela língua afiada e pela defesa, às vezes demasiado enfática, daquilo em que acreditava. Quer como economista quer como deputada do Partido dos Trabalhadores, PT, de Lula da Silva, cargo que ocupou no Congresso entre 1995 e 1998, ela combateu ferozmente o liberalismo do então presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso e travou batalhas verbais que entraram para a história do parlamento brasileiro.
Defensora de que o Estado e não o grande empresariado deveria ser o motor do desenvolvimento económico e da justiça social, a portuguesa criticava a noção dos economistas mundiais que defendia que primeiro os governos tinham de estabilizar a economia, para depois o país crescer e, só aí, essa riqueza ser distribuída. A economista afirmava que a economia nunca se estabiliza, ela cresce aos solavancos e aos empurrões, e que o Estado é que tinha de distribuir logo o que pudesse enquanto tentava equilibrar as finanças, pois as pessoas, lá na ponta, não podiam esperar.
Outra frase célebre de Maria da Conceição Tavares foi sobre a obsessão que economistas e governos do mundo inteiro têm em relação ao crescimento do PIB, Produto Interno Bruto, ou seja, a soma de todas as riquezas produzidas por um país ao longo do ano. Irritada com essa obsessão, que na visão dela não levava a nada e prejudicava os mais pobres, a portuguesa de Anadia disparou que as pessoas não comem PIB, comem alimentos.
Incansável na sua luta política, humana e de transmissão de conhecimentos, Maria da Conceição Tavares foi professora em algumas das mais prestigiadas universidades do Brasil, entre elas a FGV, Faculdade Getúlio Vargas, a Unicamp, de Campinas, e a UFRJ, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Aos 80 anos, ainda conseguia hipnotizar um auditório lotado de jovens estudantes na UFRJ, seduzidos pelos seus conhecimentos e pela forma inesperadamente simples como conseguia transmití-los.
Nos anos 70, durante a ditadura militar no Brasil, chegou a ser presa, sem que até à sua morte lhe tenham dito por quê, e foi libertada por ordem do próprio presidente de então, o general Ernesto Geisel, tendo-se exilado no Chile por alguns anos depois disso. Este sábado, personalidades do mundo económico e político, mesmo pessoas que discordavam dela, mas reconhecem os vastos conhecimentos que tinha e a sua luta na defesa dos mais desfavorecidos, elogiaram a portuguesa de nascimento e brasileira de coração, como Lula da Silva, que a classificou como um dos maiores vultos da história do Brasi
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