Eliza pode não ter sido esquartejada
Eliza Samúdio, a ex-amante do guarda-redes Bruno, pode não ter sido esquartejada nem dada a cães.
Um dos episódios da morte da ex-amante do guarda-redes Bruno, Eliza Samúdio, desaparecida em 2010, que mais impressiona quem toma conhecimento do crime, o facto de ela ter sido esquartejada e pedaços do seu corpo terem sido dados a cães, pode ser falso.
Foi isso mesmo que afirmou o ex-inspector da polícia do estado brasileiro de Minas Gerais, Edson Moreira, que comandou as investigações que levaram à prisão dos envolvidos e que na época também tinha veiculado e dado destaque à versão do esquartejamento, que explicaria o desaparecimento do corpo da jovem, até hoje não localizado.
Em depoimento no Tribunal do Júri de Contagem, em Minas Gerais, no terceiro dia de julgamento do ex-polícia Marcos Aparecido dos Santos, o “Bola”, acusado de ter morto e desmembrado Eliza, Moreira afirmou que o esquartejamento pode não ter ocorrido e que o gesto do arguido, narrado por várias testemunhas, de atirar a mão da jovem aos cães foi uma simulação.
Segundo Moreira, que se elegeu vereador graças à fama conseguida com o caso e deixou a polícia, “Bola” fingiu atirar pedaços do corpo de Eliza aos cães e que estes iriam devorar todo o corpo, para esconder dos demais envolvidos, que estavam aterrorizados e nem quiseram olhar, o que realmente ia fazer com o cadáver da jovem.
Uma outra testemunha de acusação, Jailson Oliveira, que esteve preso na mesma cela que “Bola” durante alguns meses, desmentiu igualmente a versão de que os cães tenham devorado Eliza. Também em depoimento ao tribunal, onde o julgamento se arrasta desde segunda-feira, Jailson contou que “Bola” lhe confessou ter incinerado o corpo da modelo lentamente dentro de pneus em chamas, e que depois atirou as cinzas para uma grande lagoa, para não deixar qualquer rasto.
Até agora, três arguidos do caso foram condenados. Bruno, considerado o mandantedo crime, apanhou 22 anos, e o seu amigo de infância e braço-direito, “Macarrão”, apanhou 15. Uma das namoradas de Bruno, Fernanda de Castro, também foi condenada a cinco anos de prisão, enquanto a ex-mulher dele, Dayanne de Souza, foi ilibada.
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