Embaixadas atacadas

"Kosovo é Sérvia.” Os cerca de duzentos mil sérvios reunidos ontem na praça do Parlamento em Belgrado, alguns brandindo bandeiras tricolores e cartazes, gritaram o slogan até à exaustão, em protesto contra a independência unilateralmente declarada pelos kosovares – com o apoio dos EUA e de muitos países europeus. Na capital, várias embaixadas foram atacadas e pelo menos 32 pessoas ficaram feridas.

22 de fevereiro de 2008 às 00:30
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“Estamos aqui em apoio aos sérvios que ainda vivem no Kosovo. Queremos dizer-lhes que não deixaremos que a província nos seja tomada. Vamos lutar até ao último suspiro”, declarou, inflamado, Dejan Milosevic, um dos organizadores do megaprotesto, que contou com a participação do primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, o candidato presidencial derrotado, Tomislav Nikolic, e celebridades locais.

Do enorme palco montado na praça, ornamentado com bandeiras tricolores e com um cartaz a dizer ‘Kosovo é Sérvia’, Kostunica falou à multidão: “Enquanto formos vivos Kosovo é Sérvia. Mas não estamos sozinhos na luta. O presidente Putin está connosco!” Os milhares de manifestantes responderam em uníssono: “Nunca desistiremos, nunca!” O presidente Boris Tadic, que ontem partiu para a Roménia em visita oficial, distanciou-se desta iniciativa.

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Além das tricolores, eram visíveis na manifestação as bandeiras de países que se recusam a reconhecer a autonomia do Kosovo. Até ontem, 16 países – nove da União Europeia – já a tinham reconhecido.

VIOLÊNCIA

Após os discursos, os manifestantes marcharam para o Templo de S. Sava, onde bispos oraram pelo Kosovo.

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O protesto descambou em violência, com manifestantes a dirigirem-se à embaixada dos EUA, que estava fechada mas não vigiada pela polícia. Os manifestantes incendiaram os portões e um deles subiu ao primeiro andar, rasgou a bandeira dos EUA e substituiu-a pela sérvia. Washinton pediu a Belgrado para proteger a sua missão diplomática. Foram também atacadas as embaixadas da Turquia, Croácia e de outros países apoiantes da secessão.

Na fronteira de Merdare centenas de reservistas confrontaram-se com a polícia e incendiaram pneus. Em Banja Luca, Bósnia, houve registo de protestos e actos violentos.

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