Embaló tomou posse na Guiné-Bissau sem aval da Justiça

Aristides Gomes denuncia “golpe de Estado patrocinado pelo PR cessante José Mário Vaz” e fala em “atitude de guerra”.

28 de fevereiro de 2020 às 08:32
PR cessante José Mário Vaz (à esquerda) esteve presente na contestada tomada de posse de Umaro Sissoco Embaló Foto: António Amaral/Lusa
Partilhar

O candidato Umaro Sissoco Embaló, declarado vencedor da segunda volta das presidenciais da Guiné-Bissau pela Comissão Nacional de Eleições, tomou esta quinta-feira posse sem a necessária validação do Supremo Tribunal de Justiça, agravando ainda mais a crise política no país.

A cerimónia, que vários observadores descreveram como "simbólica", decorreu num hotel de Bissau, sob forte vigilância policial e militar e sem a presença dos membros do governo e dos partidos que constituem a maioria parlamentar, bem como de representantes da comunidade internacional, com exceção dos embaixadores da Gâmbia e do Senegal.

Pub

Também não esteve presente o presidente da Assembleia Nacional, Cipriano Cassamá, que, de acordo com a Constituição guineense, é quem deve dar posse ao chefe de Estado. Em causa está a falta de validação do Supremo Tribunal de Justiça, que ainda está a analisar as alegações de fraude feitas pelo candidato derrotado, Domingos Simões Pereira.

O ato contou, no entanto, com a presença do presidente da república cessante, José Mário Vaz, que de seguida acompanhou Embaló ao Palácio Presidencial para a transferência formal de poderes.

Pub

O primeiro-ministro Aristides Gomes acusou Embaló de levar a cabo um "golpe de Estado com o patrocínio de José Mário Vaz" e considerou a tomada de posse como "uma atitude de guerra", garantindo que o governo não obedecerá a uma autoridade ilegítima.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

Partilhar