Emigrantes já votam

O Iraque prepara as eleições de amanhã num verdadeiro clima de guerra. Mas, imunes à intimidação, cerca de 280 mil eleitores iraquianos emigrados em 14 países começaram ontem a votar num clima de euforia e esperança.

29 de janeiro de 2005 às 00:00
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A participação neste “voto pela liberdade”, como alguns o apelidaram, fica, no entanto, muito aquém do esperado, pois estima-se em cerca de um milhão os iraquianos a viver no estrangeiro.

Os primeiros a votar foram os residentes na Austrália, onde há cerca de onze mil iraquianos recenseados. “É um dia muito feliz e excitante”, afirmou Shimon Addad, presidente da principal assembleia de voto de Sydney.

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Junto aos locais de voto, dezenas de iraquianos dançavam e mostravam, orgulhosos, os dedos pintados de azul, sinal de que já tinham depositado o seu voto.

“Tenho sonhado com este dia para poder contar aos meus netos que nas primeiras eleições na história do Iraque fui a primeira mulher a votar”, afirmou Lamaa Jamal Talabani, uma sexagenária que votou em Amã, Jordânia.

Mas a euforia esconde o facto de apenas uma minoria dos expatriados se terem recenseado. Acresce que muitos deles, em países como os EUA, poderão ficar em casa intimidados pelas tempestades de frio e neve que atingem alguns estados do país.

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ASSESSOR DE ZARQAWI

No Iraque, apesar de um novo dia de atentados ter custado a vida a pelo menos dez iraquianos e cinco soldados americanos, as autoridades afirmam estar a vencer a guerra ao terrorismo.

Kassim Daoud, ministro da Segurança Interna, revelou a captura de dois líderes da célula terrorista de Abu Musab al-Zarqawi, um dos quais é Abu Sayf, alegado chefe de operações em Bagdad. O outro detido é Ali Hamad al-Isawi, que se terá encontrado nos últimos meses pelo menos 40 vezes com Zarqawi, provavelmente para receber instruções.

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No mesmo tom de optimismo, o primeiro-ministro interino, Iyad Allawi, afirmou que as eleições são “a realização de um sonho”.

VOTO ATRASA EMBAIXADOR

O novo embaixador português no Iraque, Francisco Falcão Machado, continua retido em Amã, Jordânia, e só poderá assumir funções depois das eleições de domingo, já que o Aeroporto de Bagdad e as fronteiras terrestres estarão encerrados pelo menos até esse dia.

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Questionado sobre o porquê do envio do embaixador sem haver garantias de entrada no país, o gabinete de Imprensa do Ministério dos Negócios Estrangeiros escusou-se a adiantar pormenores sobre o caso. Recorde-se que fonte do gabinete de Pedro Santana Lopes afirmou que o primeiro-ministro, logo que recebeu o processo de nomeação, na segunda-feira, “deu instruções para o embaixador seguir de imediato para Bagdad”.

GNR NÃO FAZ SEGURANÇA

O contingente da GNR em missão no Iraque não participará na segurança especial destacada para as eleições de amanhã, que se prevê fique totalmente a cargo das forças locais, revelou ontem fonte do comando da corporação. Apesar de serem previsíveis distúrbios e incidentes violentos, as forças estrangeiras vão ficar longe dos locais de voto, uma vez que desde a transmissão de poderes, no início do Verão, cabe às autoridades locais a responsabilidade pelas acções de segurança corrente.

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Assim, a GNR deverá apenas realizar as patrulhas normais, apesar de com atenção redobrada para prevenir o desencadear de incidentes.

Em caso de distúrbios mais graves durante a jornada eleitoral, o auxílio excepcional caberá ao Exército italiano e às forças romenas integradas no contingente multinacional estacionado junto a Nassíria.

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