Empresário chama Temer de "Ladrão-Geral da República"
Ofensa foi feita em comunicado divulgado por Joesley Batista.
Em novo e rumoroso round entre ambos, o empresário Joesley Batista, que em Maio acusou Michel Temer de comandar um mega-esquema de corrupção, o executivo chamou este sábado o chefe de Estado de "Ladrão-Geral da República".
A ofensa foi feita em comunicado divulgado por Joesley ainda de madrugada, pouco depois de a assessoria presidencial ter divulgado também um comunicado com ofensas ao empresário, dono da JBS, líder mundial na producção de proteína animal.
No comunicado da presidência da República, encarada como uma defesa prévia de Temer face à expectativa de ser alvo já na próxima semana de uma nova denúncia por parte do Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, o governante classifica Joesley como "Grampeador-Geral da República".
"Grampo" é como no Brasil se chama a uma escuta, e a provocação alude ao facto de Joesley ter gravado um encontro secreto que teve com Temer durante a noite em Março no Palácio do Jaburu, em Brasília, durante o qual o presidente avalizou a compra do silêncio de testemunhas e de um juíz.
O comunicado presidencial, emitido quando Temer ainda está em viagem oficial à China, também critica fortemente as denúncias feitas por Joesley contra o presidente após um acordo de colaboração premiada com a justiça, bem como um novo depoimento-bomba esperado para os próximos dias, desta feita de um operador do mercado financeiro ilegal, Lúcio Funaro, que também pode atingir o chefe de Estado.
Na resposta aos ataques, Joesley Batista afirma que eles revelam a incapacidade de Temer se defender dos crimes que pratica, optando por atacar e tentar desclassificar aqueles que estão a colaborar com a justiça.
"A colaboração premiada é por lei um direito que o senhor presidente da República tem por dever respeitar. Atacar os colaboradores da Justiça mostra no mínimo a incapacidade do senhor Michel Temer de oferecer defesa dos crimes que comete. Michel, que se torna Ladrão-Geral da República, envergonha a todos nós, brasileiros", lê-se no comunicado divulgado pelo empresário, que quinta-feira entregou à Procuradoria-Geral da República novos documentos e gravações que, apesar de ainda não divulgadas, fontes da investigação garantem que atingem novamente o núcleo mais próximo a Michel Temer.
Em Maio, baseado na gravação feita por Joesley, o Supremo Tribunal autorizou a abertura de uma investigação contra Temer pelos crimes de corrupção, obstrucção à justiça e participação em organização criminosa, e em Junho o Procurador-Geral da República denunciou o presidente por corrupção.
O Supremo Tribunal tentou levar Temer a julgamento e pediu para isso autorização ao parlamento, que tem a última palavra quando o acusado é chefe de Estado, mas os deputados negaram o pedido, depois de o governo disponibilizar milhares de milhões de euros em verbas para obras e projectos de parlamentares.
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