Empresários russos criticam manutenção dos juros nos 14%
Rússia decidiu manter a taxa de juro nos 14%, após várias reduções consecutivas, ao constatar uma pressão crescente sobre os preços nos últimos meses devido ao aumento dos preços dos combustíveis.
Os empresários russos criticaram esta sexta-feira a decisão do Banco Central da Rússia de manter as taxas de juro nos 14%, enquanto o Ministério do Desenvolvimento Económico russo quer "relançar o ciclo de investimentos" com a redução das taxas.
"Para o ciclo de investimentos, tanto esta decisão como as previsões baseadas nas taxas constituem uma questão de princípios que não é positiva", afirmou o presidente da União de Empresários e Industriais da Rússia, Alexandr Shojín, citado num comunicado da organização publicado 'online'.
O responsável argumentou que "um projeto cujo retorno se calcula em cinco ou sete anos não irá avançar partindo do pressuposto de que o custo do crédito será aceitável daqui a três anos".
Alexandr Shojín observou ainda que desde o início, o Banco Central deu sinais de que não iria flexibilizar a política de taxas e, neste contexto, a questão das taxas de juro perdeu importância aos olhos do mundo empresarial russo.
"A redução dos programas de investimento deixou de ser vista como um problema para se tornar algo aceite como inevitável (...) O encarecimento do crédito exerce pressão sobre o capital, obrigando as empresas a financiar-se atrasando os pagamentos aos seus parceiros, o que, por sua vez, corrói a disciplina de pagamento em toda a cadeia de abastecimento", alertou.
Por isso, classificou as perspetivas como "alarmantes" e salientou que este processo "abranda" o avanço rumo à meta de inflação de 4% estabelecida pelo banco russo.
Por sua vez, o Ministério do Desenvolvimento Económico assinalou num comunicado que a decisão do Banco Central da Rússia "reflete o difícil equilíbrio entre os riscos inflacionistas e a necessidade de a economia receber estímulos para o seu crescimento".
A entidade destacou que "as condições financeiras e de crédito continuam a ser restritivas" e sublinhou que "uma flexibilização oportuna será um fator-chave para relançar o ciclo de investimentos" na Rússia.
A entidade bancária da Rússia decidiu esta sexta-feira manter a taxa de juro nos 14%, após várias reduções consecutivas, ao constatar uma pressão crescente sobre os preços nos últimos meses devido ao aumento dos preços dos combustíveis, provocado pelos ataques ucranianos contra as refinarias russas e pela escassez de gasolina e gasóleo.
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