Encontrada droga em helicóptero de família de senador
Aparelho pertence a uma das empresas dos filhos do senador Zezé Perrella, ex-presidente do Cruzeiro.
A Polícia Militar do estado brasileiro do Espírito Santo apreendeu 455 quilos de cocaína transportada até uma região isolada do interior por um helicóptero, cuja presença naquele local provocou surpresa. E os agentes ficaram ainda mais surpreendidos ao verificarem a quem pertencia a aeronave. O helicóptero que serviu para transportar a cocaína pertence a uma das empresas dos filhos do conhecido senador Zezé Perrella, ex-presidente do Cruzeiro, clube que há dias se sagrou campeão brasileiro de futebol por antecipação.
A assessoria de imprensa da Polícia Militar afirmou ao Correio da Manhã que a apreensão foi o resultado de uma investigação que já durava há algumas semanas em torno de uma propriedade rural no município de Afonso Cláudio, na região serrana do Espírito Santo, onde a intensa movimentação num local tão ermo tinha chamado a atenção. Quando perceberam a aproximação da aeronave, facto absolutamente incomum na região e, ainda mais, sem que tenha havido qualquer anúncio da sua chegada às autoridades locais responsáveis pelo tráfego aéreo, a Polícia Militar decidiu intervir.
Quando os polícias chegaram ao local, de difícil acesso, a droga já tinha sido descarregada da aeronave. Os quatro homens presos em flagrante no local já estavam a acondicionar a cocaína em duas viaturas, que a levariam provavelmente para Vitória, capital do estado.
DROGA PODERIA TER COMO DESTINO A EUROPA
Na opinião do Major Santiago, da Polícia Militar, que comandou a operação que resultou na apreensão de tão expressiva quantidade de cocaína, apenas uma pequena parte da droga ficaria no estado de Espírito Santo, para abastecer traficantes locais. O restante, a maior parte, segundo o oficial, iria para outros países, provavelmente na Europa.
O helicóptero, que saiu de São Paulo, é propriedade da empresa Limeira Agropecuária Ltda, que, segundo a polícia apurou, está em nome dos filhos do senador Perrella, que durante quase duas décadas, e até final de 2011, comandou o Cruzeiro, da cidade de Belo Horizonte, capital do estado de Minas Gerais. A família Perrella nega qualquer envolvimento com o tráfico de droga e adianta que a aeronave foi usada sem sua permissão ou conhecimento.
António Castro, advogado da família Perrella, declarou que a responsabilidade pelo voo que serviu para transportar a droga é do piloto da aeronave, Rogério Almeida Antunes, que trabalhava num cargo de confiança na Assembleia Legislativa do Estado de Minas Gerais, contratado pelo deputado Gustavo Perrella, um dos filhos do senador e sócio da empresa proprietária do helicóptero. De acordo com Castro, o piloto costumava ficar com a chave do aparelho e aproveitou a confiança depositada nele para usar o helicóptero sem conhecimento dos donos da empresa.
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