Erdogan admite pena de morte para golpistas
Já foram detidas na Turquia mais de 6 mil pessoas.
O presidente turco, Recep Taiyyp Erdogan, tem em marcha uma vasta purga no Exército depois do golpe de Estado falhado de sexta-feira. Erdogan prometeu que os golpistas "vão pagar um preço elevado" por um levantamento que, afirmou, visava matá-lo. A purga iniciou-se com a detenção de mais de 2800 militares e a destituição de pelo menos 2745 magistrados.
Este domingo, na Turquia já se falava na detenção de 6 mil pessoas, a maioria militares, acusados de terem participado no golpe falhado. O ministro da Justiça Bekir Bozdag, afirmou que estes números deverão aumentar nas próximas horas.
O líder turco apelou aos seus apoiante que se mantenham nas ruas e sublinhou que "foi isso que arruinou o plano dos golpistas". "Na próxima semana precisamos de manter esta solidariedade, e continuar a promover estas manifestações".
Lembre-se que os militares rebeldes lançaram o ataque ao fim da noite de sexta-feira, mas sábado de manhã, com o apoio de um levantamento civil contra os revoltosos, as forças fiéis ao governo controlaram o golpe de Estado.
O sinal que terá feito inverter a situação pode ter sido um gesto mediático de Erdogan. O presidente fez chegar à CNN Turca um apelo através de uma chamada vídeo feita a partir de um telefone. Erdogan apelou a um levantamento da população contra os golpistas. Multidões em fúria saíram pouco depois à rua e atacaram os militares, ditando o princípio do fim do golpe de Estado.
"Este levantamento é uma dádiva de Deus para nós, porque será uma razão para limpar o nosso Exército", afirmou Erdogan, que em paralelo encetou uma purga do poder judicial.
Até agora, foram detidos os generais Adem Huduti, Avni Angun e Erdal Öztürk, considerados altos responsáveis pela operação e pelo menos dez outros generais do Exército e Força Aérea.
A polícia prendeu ainda 10 juízes do Danistay, o mais alto tribunal administrativo do país, e procurava 38 outros juízes desse tribunal. Havia ainda ordem de captura de 140 juízes do Yargitai, ou Supremo Tribunal. O presidente desse tribunal, Ismail Çirit, prometeu um castigo exemplar "para todos os traidores". Paralelamente, foram levadas a cabo 2745 destituições de magistrados.
O governo turco culpa pela intentona os fiéis ao opositor turco Fethullah Gülen, que vive exilado nos EUA e que já se demarcou do golpe. Erdogan voltou este domingo a acusar o clérigo de ser o autor moral da revolta.
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