ESPANHA APROVA ESCOLHA DE FELIPE

A notícia do casamento do príncipe Felipe, herdeiro do trono espanhol, com a jornalista Letizia Ortiz, foi recebida com alegria pela generalidade dos espanhóis, que um dia depois do anúncio multiplicaram as manifestações de apoio ao enlace.

03 de novembro de 2003 às 00:00
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Os meios de comunicação do país vizinho noticiaram ontem o evento de forma extensa, e também aí a aprovação da candidata a rainha foi unânime.

O facto de ser divorciada não parece ter perturbado ninguém de forma significativa, nem mesmo os pais do príncipe. O rei Juan Carlos e a rainha Sofia - que ontem celebrou, na intimidade, os seus 65 anos - foram, aliás, os primeiros a publicitar a "sua enorme felicidade" com a decisão do filho.

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Segundo sondagens ontem realizadas pelos principais jornais espanhóis, entre 65 e 70% dos inquiridos é favorável à escolha de Felipe.

Os partidos políticos reagiram também à notícia com aprovação. Desde o Partido Popular (PP), do primeiro-ministro José María Aznar, até ao Partido Nacionalista Basco (PNV), que lidera o governo autónomo do País Basco, todos ressalvaram as qualidades profissionais e humanas da futura rainha. O facto de a jovem ser uma espanhola de classe média sem vínculos com a aristocracia foi aceite até pelo jornal monárquico 'ABC' como um sinal "de evolução". A monarquia espanhola, destaca o jornal, "evoluiu, como no resto da Europa, na sua própria organização interna, de tal maneira que não há sectores nem classes sociais estanque que possam ser considerados limitativos das relações possíveis do herdeiro".

Quanto à Casa Real, sabe-se que os reis conheciam já a namorada de Felipe, que foi igualmente apresentada às suas irmãs e respectivos maridos: princesa Helena e Jaime de Marichalar, e princesa Cristina e Iñaki Urdagarin.

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Segundo o porta-voz da Casa Real, os reis de Espanha consideram que a eleita do filho "reúne as condições necessárias" para compartilhar as futuras responsabilidades do herdeiro do trono e destacam, como características mais marcantes da personalidade da jovem, o ser "responsável, coerente, conscienciosa, madura e séria".

Os colegas de Letizia na cadeia de televisão espanhola TVE, descrevem-na, por seu lado, como "simples e discreta", para além de destacarem a sua competência profissional. O jornalista Pedro Piqueras, que a conheceu como aluna durante um seminário sobre informação televisiva, sublinha a "excelente formação" de Letizia, considerando-a "uma rapariga viva, muito séria no seu trabalho e agradabilíssima".

Com todas estas qualidades morais, associadas a dotes físicos inquestionáveis, Letizia tem tudo para ser não só a rainha mais bela do mundo como também a mais popular.

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UM SEGREDO BEM GUARDADO

O namoro de Letizia Ortiz com o príncipe Felipe foi um segredo bem guardado. De tal forma que, até ao anúncio oficial, nem mesmo os colegas de trabalho da jovem jornalista na TVE tinham conhecimento do caso.

Até mesmo os pais, Jesús Ortiz e Paloma Rocasolano, actualmente divorciados, se mostraram algo surpreendidos com a notícia. Só na sexta-feira começaram a circular os primeiros rumores, o que, associado ao facto de ontem se celebrar o 65.º aniversário da rainha Sofia, terá precipitado o anúncio do casamento.

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PERFIL DE UMA PRINCESA

Letizia Ortiz Rocasolano, de 31 anos de idade, nasceu em Oviedo e é desde há três anos uma cara bem conhecida dos espanhóis, que se habituaram a vê-la na apresentação dos telejornais da TVE e em reportagens feitas um pouco por todo o mundo. De facto, Letizia foi enviada especial nos EUA após o 11 de Setembro, cobriu a guerra no Iraque e, em Espanha, noticiou no local a tragédia ecológica do ‘Prestige’.

Filha e neta de jornalistas, começou a trabalhar bem cedo na profissão dos seus ascendentes, ao mesmo tempo que completava a formação em Ciências da Informação, na Universidade Complutense de Madrid. Trabalhou no México, onde fez o doutoramento, e depois nos EUA, na cadeia de TV por cabo CNN, passando depois por vários jornais e revistas espanhóis.

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A sua competência profissional foi reconhecida em 2001, quando recebeu o prémio Larra para o melhor jornalista espanhol com menos de 30 anos. Em 1999 casou-se em cerimónia civil com Alonso Guerrero, licenciado em Filosofia, professor e escritor, de quem se divorciou um ano depois.

A Espanha está eufórica com o noivado do príncipe Felipe. Após anos de desamores, de noivas reais e fictícias, o herdeiro do trono escolheu, “por amor”, como prometera, a jornalista Letizia Ortiz. Ocasamento terá lugar no Verão de 2004, na imponente catedral madrilena de La Almudena, frente ao Palácio Real.

AS EX-NAMORADAS DO PRÍNCIPE

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O currículo amoroso do príncipe Felipe, das Astúrias, está repleto de belezas deslumbrantes. Desde que, ainda adolescente, se enamorou de Victoria Carvagal até anunciar o noivado com Letizia Ortiz, passaram pelos braços do príncipe mulheres tão notáveis como a espanhola Isabel Sartorius, a norte-americana Gigi Howard, ou a modelo norueguesa Eva Sannum.

Sobre a primeira e a última, Felipe reconhece que “marcaram a sua vida”. Entre os amores mais “leves”, o namoradeiro príncipe terá ainda seduzido a actriz Gwyneth Paltrow, antiga noiva do também actor Brad Pitt.

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