EUA abertos a diálogo com Rússia sobre arsenais nucleares após fim do New START
Tratado 'New Start' destinava-se a limitar arsenais nucleares.
O Pentágono afirmou esta quarta-feira que o Governo norte-americano está disposto a encetar um diálogo militar com Moscovo, que inclui também questões nucleares, após o fim do 'New START', o último tratado destinado a limitar arsenais nucleares.
O subsecretário de Defesa para Assuntos de Segurança Internacional, Daniel Zimmerman, indicou que o Governo dos Estados Unidos está "aberto a promover o diálogo militar com a Rússia, o que inclui conversações lideradas pelo Departamento de Estado após o termo do New START".
A Rússia e os Estados Unidos detêm, de longe, os maiores arsenais nucleares do mundo, mas, desde que o Tratado New START expirou, no início de fevereiro, que não existe qualquer acordo de desarmamento nuclear a ligar as duas potências.
Zimmerman teceu estes comentários perante a Comissão das Forças Armadas da Câmara dos Representantes, apenas algumas horas após o ministro dos Negócios Estrangeiros russo, Serguei Lavrov, ter manifestado a sua preocupação com o futuro do regime de não proliferação nuclear e alertado para uma “situação crítica” no domínio do controlo de armas a nível mundial.
“A 05 de fevereiro de 2026, expirou o Tratado de Redução de Armas Estratégicas [New START ou START III] entre a Rússia e os Estados Unidos. A iniciativa proposta pelo Presidente russo, Vladimir Putin, para que as partes do tratado continuassem a cumprir voluntariamente as suas principais limitações quantitativas foi ignorada pelos Estados Unidos”, afirmou Lavrov.
Além disso, relatórios dos serviços secretos norte-americanos indicam que a capacidade militar da Rússia é agora “superior à que existia antes do início da guerra na Ucrânia” e afirmam que Moscovo “possui armas antissatélite e mísseis hipersónicos”.
Na sua Avaliação Anual de Ameaças, Washington alertou que as forças russas são agora “mais capazes”.
Donald Trump defendeu um "novo, melhorado e modernizado tratado" com a Rússia, argumentando que o Novo START tinha sido "mal negociado" pela então administração do antigo Presidente democrata Barack Obama.
O tratado, assinado em 2010 entre a Rússia e os Estados Unidos, limitava o número de lançadores de mísseis nucleares para distâncias intercontinentais.
Os Estados Unidos também têm tentado incluir a China em discussões futuras, algo que Pequim afasta, argumentando que o seu arsenal nuclear, embora ainda em desenvolvimento, se mantém de pequena escala.
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