EUA apertam cerco ao Irão
Teerão avisa que uma intervenção norte-americana terá como consequência uma “guerra regional” e classificou as Forças Armadas europeias de “grupos terroristas”. Trump diz que não tem medo.
A tensão entre os EUA e o Irão subiu de tom, numa altura em que os norte-americanos continuam a mobilizar e a concentrar importantes meios no golfo Pérsico. “Uma enorme armada está a caminho do Irão. Avança com rapidez. É ainda maior que a enviada à costa da Venezuela”, garante Donald Trump, numa alusão à intervenção militar naquele país da América do Sul, que terminou com a captura do Presidente Nicolás Maduro e a sua mulher.
Apesar de, no sábado, Trump ter afirmado que o Irão estava a falar com os EUA - “vamos ver se conseguimos fazer alguma coisa” -, Teerão revelou este domingo sinais contrários a um entendimento. Disse estar preparado para enfrentar “o inimigo” e alertou que qualquer ataque desencadearia “uma guerra regional”. “Os americanos devem saber que se declararem uma guerra, esta será uma guerra regional”, advertiu o líder supremo, o aiatola Ali Khamenei. E a ameaça vai agora mais longe, com o presidente do parlamento iraniano a abrir uma nova frente, ao considerar as Forças Armadas europeias como “grupos terroristas”, depois de a UE classificar a Guarda Revolucionária de ser uma “organização terrorista”. “De acordo com o artigo 7.º da lei sobre as contramedidas relativas à designação do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica como organização terrorista, os exércitos dos países europeus são considerados grupos terroristas”, declarou Bagher Ghalibaf.
A Guarda Revolucionária será um dos alvos que estarão na mira dos EUA, nomeadamente os locais onde se encontra aquartelada, caso Trump passe das palavras aos atos. Braço-direito do regime de Khamenei, a Guarda Revolucionária, criada após a Revolução Iraniana de 1979, contará com mais de 150 mil homens, altamente treinados. Nada que intimide Trump.
'Armada' de Trump visa o Irão
O Presidente norte-americano acredita que o poderio militar norte-americano é mais do que suficiente para fazer vencer uma guerra contra o Irão. Israel, o grande aliado dos EUA no Médio Oriente, está atento, sendo quase certo o seu envolvimento se os norte-americanos avançarem. Temendo um conflito em larga escala, vários países da região têm procurado, pela via diplomática, desanuviar o ambiente, mas até agora sem grandes resultados práticos. Já para Trump a questão é simples: ou Irão se senta à mesa para negociar um acordo sobre o programa nuclear e, ao mesmo tempo, acaba com a repressão de quem se manifesta contra o regime, ou a guerra é inevitável.
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