Europa já admite saída da Grécia
Os líderes dos principais partidos gregos voltaram ontem a não conseguir chegar a acordo para a formação de um governo, numa altura em que na Europa se fala cada vez mais abertamente da possível saída da Grécia do Euro, um desfecho de consequências imprevisíveis para o país e para a UE.<br/><br/>
"As coisas estão muito difíceis. Não estou optimista", afirmou o líder socialista Evangelos Venizelos após nova reunião com o presidente Caroulos Papoulias e com os líderes da Nova Democracia e do partido esquerdista Dimar. O Syriza (radicais de esquerda, segunda formação mais votada nas eleições) recusou participar no encontro, no qual o chefe de Estado propôs, sem sucesso, a formação de um governo de "personalidades não políticas" como forma de contornar a crise.
Hoje há nova reunião com todos os partidos, com excepção da extrema-direita, mas as expectativas não são muitas. Na Europa, já quase ninguém acredita, e a possível saída da Grécia do Euro, assunto tabu há um ano, já começa a ser discutida abertamente.
"Tecnicamente, pode fazer--se. Não é necessariamente uma catástrofe, mas tão-pouco é uma opção desejável", disse ontem Patrick Honohan, governador do banco central irlandês. O homólogo belga Luc Coene admitiu um "divórcio amigável". Certo é que a Grécia está com a corda na garganta: o Estado só tem dinheiro para pagar salários e pensões até Junho. Sem acordo, a insolvência é uma possibilidade cada vez mais real.
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