Europa rejeita ameaças de Trump sobre Gronelândia e alerta para "perigosa espiral descendente"

Chefe da diplomacia europeia diz que ameaças do presidente dos EUA "fizeram o dia" da Rússia e da China.

19 de janeiro de 2026 às 01:30
Gronelândia Foto: Getty Images
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Os países europeus ameaçados por Donald Trump por se oporem à venda da Gronelândia emitiram este domingo uma declaração conjunta em que rejeitam com firmeza as ameaças do presidente dos EUA e alertam para uma "perigosa espiral descendente" nas relações transatlânticas.

A declaração, subscrita pelos oitos países - Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Reino Unido, Alemanha, Países Baixos e Finlândia - que foram ameaçados por Trump com tarifas de 10% já a partir de 1 de fevereiro por terem enviado militares para a Gronelândia, sublinha que as tropas "não representam uma ameaça contra nenhum país" e que as ameaças dos EUA contra aliados da NATO "prejudicam as relações transatlânticas" e abrem caminho a uma "perigosa espiral descendente".

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Separadamente, o presidente francês, Emmanuel Macron, escreveu nas redes sociais que "nenhuma intimidação ou ameaça" vai influenciar a Europa e que a ameaça de imposição de tarifas "é inaceitável e não tem qualquer lugar neste contexto".

Igualmente contundente foi a reação da chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, que disse que as ameaças de Trump aos aliados europeus "fizeram o dia da Rússia e da China". "Se a segurança da Gronelândia está em risco, podemos resolver o problema no âmbito da NATO. As tarifas ameaçam tornar a Europa e os EUA mais pobres e minar a nossa prosperidade partilhada", avisou.

Representantes dos Estados-membros da União Europeia reuniram-se neste sábado à noite para discutir a reação europeia, com vários países a defenderem a invocação, pela primeira vez, do mecanismo anti-coerção da UE, que prevê a adoção de sanções, tarifas e outras medidas punitivas contra qualquer país que procure usar "coerção económica" contra um ou mais Estados-membros. 

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Uma primeira consequência poderá ser, já esta semana, a suspensão, pelo Parlamento Europeu, do processo de ratificação do acordo comercial EUA-UE assinado em agosto do ano passado. "Nas atuais circunstâncias não há condições para ratificar o acordo", disse este domingo uma responsável do grupo parlamentar dos Socialistas e Democratas, o segundo maior grupo político do PE.

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