Ex-presidente do Supremo do Brasil desiste de disputar presidenciais
"Não pretendo ser candidato a presidente da República. Decisão estritamente pessoal", revelou Barbosa.
O ex-presidente do Supremo Tribunal brasileiro (STF) Joaquim Barbosa anunciou esta terça-feira que não vai disputar as eleições presidenciais do próximo mês de Outubro, em cuja corrida era um dos quatro mais cotados nas sondagens. Barbosa, que se reformou do STF em 2014 por vontade própria e 11 anos antes de atingir a idade limite, tinha-se filiado em Abril ao Partido Socialista Brasileiro (PSB) com o intento de disputar as presidenciais, mas esta terça usou a sua conta no twitter para anunciar que tinha mudado de ideia.
"Está decidido. Após várias semanas de muita reflexão, cheguei finalmente a uma decisão. Não pretendo ser candidato a presidente da República. Decisão estritamente pessoal", escreveu Barbosa, provocando uma grande deceção no partido e nos muitos brasileiros que apostavam na sua candidatura para tentar mudar de vez os rumos do Brasil.
Nas últimas sondagens, realizadas em Abril pelo Instituto Datafolha com os nove cenários mais prováveis, Joaquim Barbosa oscilou entre a terceira e a quarta colocação. Mesmo sem participação em qualquer atividade política e raramente sendo visto em público, ele aparecia então com 10% das intenções de voto e um enorme potencial de crescimento, provocando calafrios em muitos candidatos sobejamente conhecidos, que não conseguiam alcançar esse patamar eleitoral.
No cenário em que foi melhor avaliado, o ex-juíz do Supremo Tribunal chegou a tirar o terceiro lugar à ex-senadora Marina Silva, ficando atrás apenas do líder da disputa, Lula da Silva, e do segundo colocado, o deputado de extrema-direita Jair Bolsonaro. Barbosa superou nessa altura nomes famosos da política e igualmente candidatos, como o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, o ex-ministro Ciro Gomes e, principalmente, o atual presidente e postulante à reeleição, Michel Temer, que não passava então, no melhor dos seus cenários, dos 2%.
Joaquim Barbosa ganhou fama internacional e a simpatia e o respeito dos brasileiros ao comandar com extremo rigor o julgamento do escândalo de corrupção que ficou conhecido como "Mensalão", condenando em 2012 a pesadas penas a maioria dos acusados, quase todos ligados ao Partido dos Trabalhadores e aliados. Ele era visto como a grande esperança de o Brasil ter no comando um gestor totalmente aliado com a ética e, por nunca ter participado em actividades partidárias, sem os vícios dos políticos profissionais.
Mas, apesar de se ter filiado ao PSB, a relação com o partido já vinha a apresentar alguns problemas, pois Joaquim Barbosa não gosta de certos jogos de bastidores nem tem paciência para as longas reuniões partidárias em que são costurados acordos e alianças nem sempre fáceis de engolir. Esta terça, num desabafo repercutido por um blog de análise política, ele confessou que "o coração já me vinha a dizer há muito, não te metas nisso, não te metas".
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