Ex-secretária diz que Nestor Kirchner recebia malas com dinheiro

Uma ex-secretária revelou que o falecido presidente argentino Nestor Kirchner recebia malas com dinheiro no palácio presidencial.  

08 de maio de 2013 às 16:25
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A investigação sobre o pseudo enriquecimento ilícito de Néstor Kirchner, que morreu em 2010, e da sua mulher e atual presidente do país, Cristina Kirchner, ganhou novos contornos com uma entrevista dada, domingo à noite, por uma ex-secretária da presidência.

Miriam Quiroga, que foi secretária de Néstor Kirchner durante dez anos e que Cristina demitiu por a assessora ter supostamente mantido uma relação íntima com o seu marido, afirmou que o então presidente argentino recebia malas cheias de dinheiro no próprio palácio presidencial.

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Esse dinheiro, presumivelmente fruto de sobrevalorização de grandes obras públicas e outras irregularidades, era depois levado no avião presidencial para a província de Santa Cruz, reduto eleitoral dos Kirchner e onde a família tem várias propriedades. De lá, acrescentou ainda a secretária durante a entrevista ao jornalista Jorge Lanata, do Canal 13 da TV Argentina (ligada ao grupo oposicionista Clarín), era mais tarde transportado de avião para bancos na Suíça.

As denúncias de Miriam e Lanata, que nas últimas semanas tem dado destaque ao assunto, envolvem igualmente o ministro do Planeamento, Investimento Público e Serviços, Júlio de Vido, acusado de usar o cargo para favorecer as empresas do mega-empresário Lázaro Báez. Este empresário é também acusado de pressionar outros empresários a venderem os seus negócios para Báez, que está a ser investigado pela justiça por suspeita de ser o principal agente do alegado esquema de branqueamento de dinheiro ilícito do casal Kirchner, cujo património aumentou 800% desde que Néstor chegou ao poder, em 2003.

Depois da entrevista da ex-secretária, que teve grande repercussão nos media, o promotor Gerardo Policitta pediu ao juiz Júlio Ercolini, o magistrado que lidera a investigação sobre Baéz e os Kirchener, a inclusão de Miriam no processo como testemunha. A presidente Cristina Kirchner não quis falar sobre as novas denúncias, comentando apenas que esse tipo de ataque surge de tempos a tempos.

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