Fação venezuelana alvo de operação policial no Brasil por fornecer armas ao Comando Vermelho
Entre o armamento movimentado pelo grupo criminoso estão fuzis, metralhadoras calibre 50 e lança-granadas, além de equipamentos de alto poder destrutivo utilizados em confrontos.
A Polícia Civil do Estado de Roraima realizou esta terça-feira uma operação contra a Tren de Aragua, organização criminosa da Venezuela que atua no Norte do Brasil, por fornecimento de armas ao Comando Vermelho (CV).
Segundo a corporação, as autoridades policiais cumpriram 25 mandados de detenção e mais de 30 de busca e apreensão contra suspeitos investigados por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e comércio ilegal de armas.
Entre o armamento movimentado pelo grupo criminoso estão fuzis, metralhadoras calibre 50 e lança-granadas, além de equipamentos de alto poder destrutivo utilizados em confrontos.
Os investigadores também identificaram elementos que intervinham no abastecimento de armamentos destinados a outras organizações criminosas, incluindo membros do Comando Vermelho com atuação nos estados do Amazonas e do Rio de Janeiro.
A operação, batizada de ‘Rota do Norte’, foi realizada em Roraima e Amazonas, na região Norte do Brasil, e nos estados do Sudeste e Sul do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Paraná.
Durante conferência de imprensa, o coordenador da operação, delegado Wesley Costa de Oliveira, afirmou que os investigados movimentavam grandes quantias provenientes da venda de armamentos pesados.
“Cada vez mais as fações têm agido como empresas”, declarou, ao explicar que o grupo se tem atualizado quanto às transações financeiras e ao uso de criptomoedas.
Segundo o delegado, parte dessas armas tinham origem nos Estados Unidos, na Colômbia e na Venezuela e o grupo criminoso utilizava Roraima como corredor logístico para chegar a outros estados brasileiros.
Investigadores disseram à Lusa que um dos alvos é um brasileiro responsável por lavar dinheiro para as organizações criminosas, e foi detido hoje no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro.
Esse homem, cuja identidade não foi revelada, movimentou 300 milhões de reais (50,86 milhões de euros) em criptoativos em 2025, sendo responsável por ser o elo entre membros do CV e da Tren de Aragua.
Até ao momento, a Polícia Civil do Estado de Roraima não divulgou um balanço geral sobre bens apreendidos e detenções realizadas.
Fundado numa prisão da Venezuela, o grupo criminoso expandiu a sua atuação para diferentes países da América Latina, especializando-se no tráfico de drogas, tráfico humano e garimpo ilegal.
Em fevereiro deste ano, os Estados Unidos classificaram a Tren de Aragua como organização terrorista global, o que tem sido rebatido por especialistas que olham para a ação política da Casa Branca como meio para justificar a intervenção dos EUA sobre a Venezuela.
Na última sexta-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou a morte do líder da Tren de Aragua, Héctor Rusthenford Guerrero Flores, conhecido como Niño Guerrero.
Para Wesley Oliveira, a morte de Niño Guerrero pelos EUA na Venezuela pode gerar um efeito de fuga de criminosos do país vizinho para o Brasil.
“Provavelmente alguns desses faccionados venezuelanos vão querer utilizar o Brasil como rota de fuga”, declarou, ao apontar que a extensa faixa de fronteira entre o país e a Venezuela impõe desafios para as forças de segurança.
A Venezuela faz fronteira com o Brasil pelos estados do Amazonas e de Roraima, numa extensão territorial de aproximadamente 2,2 mil quilómetros, o equivalente, em linha reta, a sair de Lisboa e chegar praticamente ao centro da Europa, perto de Berlim.
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